Com o retorno das aulas em todo o Brasil neste início de 2026, um problema recorrente volta a preocupar especialistas em saúde: o peso excessivo das mochilas escolares. Ortopedistas e profissionais da saúde infantil alertam que a sobrecarga pode causar danos à coluna vertebral ainda em fase de desenvolvimento, com reflexos que podem acompanhar crianças e adolescentes por toda a vida.
Riscos à postura e à coluna
O transporte diário de mochilas acima do peso recomendado sobrecarrega músculos das costas, ombros e pescoço, provocando dores, fadiga e alterações posturais. A longo prazo, o excesso de peso pode contribuir para o desenvolvimento de problemas como escoliose, cifose e lordose, condições que exigem tratamentos prolongados e, em casos mais graves, intervenções cirúrgicas na vida adulta.
Crianças entre 8 e 12 anos, período de crescimento acelerado, estão entre as mais vulneráveis. Estudos indicam que cerca de 70% dos estudantes nessa faixa etária relatam desconforto ou dor nas costas ao final do dia letivo.
Peso máximo recomendado
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam que o peso da mochila não ultrapasse de 10% a 15% do peso corporal da criança. Na prática, isso significa que um aluno de 30 quilos deveria carregar, no máximo, entre 3 e 4,5 quilos.
No entanto, levantamentos do Ministério da Saúde apontam que, em muitos casos, mochilas chegam a pesar de 12 a 15 quilos, ultrapassando em até três vezes o limite considerado seguro.
Uso inadequado agrava o problema
Além do peso, a forma de uso também influencia diretamente nos danos à saúde. Carregar a mochila em apenas um ombro, utilizar alças finas ou mal ajustadas e optar por modelos sem encosto adequado aumentam o risco de dores e desequilíbrios posturais. A distribuição incorreta do material escolar dentro da mochila também contribui para a sobrecarga da coluna.
Sinais de alerta
Pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais como marcas nos ombros, postura curvada, queixas frequentes de dor, dificuldade para caminhar ou até resistência da criança em ir à escola. Em casos mais graves, sintomas como formigamento nos braços ou alterações na forma de andar exigem avaliação médica imediata.
Medidas preventivas
Especialistas recomendam pesar a mochila regularmente, retirar materiais desnecessários, priorizar mochilas ergonômicas e incentivar o uso correto, sempre com as duas alças nos ombros. Alternativas como armários escolares, rodízio de livros e uso de materiais digitais também ajudam a reduzir a carga diária.
Atividades físicas que fortalecem a musculatura, como natação e exercícios de alongamento, são apontadas como aliadas na prevenção de problemas posturais.
Responsabilidade coletiva
Embora existam leis municipais em alguns estados que limitam o peso das mochilas, a fiscalização ainda é falha. Especialistas reforçam que a prevenção depende da atuação conjunta de famílias, escolas e poder público.
O alerta é claro: cuidar da saúde postural das crianças hoje é evitar problemas graves no futuro. O peso da mochila pode parecer detalhe, mas o impacto na saúde é real e crescente.










