Helen Becker, presidente da Instância de Governança Regional Caminho dos Canyons, foi reconduzida à cadeira do Conselho Estadual da Secretaria da Agência de Desenvolvimento e Promoção de Turismo de Santa Catarina no último dia 30 de março, para atuar por mais dois anos no setor que mais vem crescendo na região. O trabalho de Helen e do conselho independe de questões políticas, ou seja, as eleições não afetam o desenvolvimento das articulações.
Becker ainda está sediada na Câmara de Infraestrutura e de Promoção e Marketing, que, segundo ela, proporciona autonomia para trabalhar mais livremente no setor.
Em entrevista ao Correio do Sul, ela falou deste novo momento do turismo na Amesc e traçou um vislumbre do futuro no setor.
Como nasceu a sua trajetória no Turismo?
Eu nasci no Turismo, desde pequena eu já vendia balas e chocolates na vitrine do hotel Becker para os gaúchos que passavam pela BR 101 em direção às praias da região turística Encantos do Sul, Grande Florianópolis e Costa Verde Mar, nas praias de Garopaba, Ferrugem, Rosa… Eu cresci sabendo do quanto o povo gaúcho era exigente no atendimento, na excelência dos produtos. Isso me fez entender como o turismo é uma mola propulsora para o desenvolvimento econômico mesmo não sendo a minha área de formação. Sou graduada em Bacharel em Relações Internacionais e Economia, e tenho pós-graduação em Gestão Pública e Turismo.
E como foi a sua entrada na esfera pública?
Após sair da iniciativa privada, eu entendi que poderia contribuir para a minha cidade natal, Araranguá. Tive a oportunidade no governo do prefeito Mariano Mazzuco de ser diretora do Departamento de Turismo, tive uma experiência de 1 ano e 11 meses na pasta. Quando cheguei, não tinha um papel sobre o turismo, nenhuma formação. E neste período, construí 27 ações por Araranguá. Destas, 13 foram eventos, no verão e no inverno. Consegui movimentar a cidade e resgatar no cidadão o sentimento de pertencimento ao município, entendendo o turismo como uma forma de melhoria de qualidade de vida das pessoas.
Quais os passos seguintes após a trajetória em Araranguá?
Recebi um convite do prefeito Juscelino Guimarães, o Mineiro, para gerir a pasta do Turismo em Balneário Arroio do Silva. Entrei em fevereiro, saí em agosto, e nestes meses, conseguimos aprovar três leis para eventos, formação de conselho municipal e outra que agregaria ao Balneário com sua vocação para eventos. Aprendi muito, principalmente que a política não é para amadores.
Naquela época o município era muito carente, e nós conseguimos formar o Conselho Municipal de Turismo, dali começamos a desenvolver trabalhos e pontuar o planejamento estratégico através de um diagnóstico de quais eram as necessidades que o município tinha, quais seriam os objetivos no setor turístico.
Depois recebi um convite para trabalhar na Amesc. Com o falecimento da Cris Bilésimo, a cadeira ficou em stand by por três anos e nossa região ficou adormecida. Além do fator de que os órgãos estaduais priorizavam sempre as regiões turísticas da Grande Florianópolis, Caminho dos Príncipes, Vale Europeu e Costa Verde Mar. Essas eram as que mais recebiam auxílio financeiro. Sabendo das lutas da época e vendo meu pai trabalhando nas feiras, também tínhamos um fator muito importante na época, que era a chegada dos argentinos, isso foi muito bom na nossa região, eu aprendi que era possível vender a nossa região, com muito esforço através das promoções em feiras, workshops e meetings que acontecem na América do Sul e no Brasil.
Qual a maior dificuldade que você encontrou no turismo na parte pública e na parte privada?
Na esfera privada, o empresário tem que dar tudo de si, entregar excelência e qualidade, atuando dentro da legislação, saindo da irregularidade, pagando as contribuições dentro da lei. Na parte pública, ela tem que fazer o seu papel. Não atrapalhar já é um bom sinal, deixando o empresário livre para trabalhar.
Como você vê a parte pública na Amesc, já que você tem um cargo de gerência como coordenadora de turismo e cultura na associação dos municípios?
Vejo que, neste novo momento, os prefeitos estão entendendo, sim, que muito municípios da Amesc têm vocação turística e estão entrando em conformidade com os programas de regionalização do Ministério do Turismo, estão cumprindo os programas da agência Santur, estão entendendo que é importante ter uma equipe qualificada dentro das pastas de turismo. É importante também fazer planejamentos municipais, levantamentos, diagnósticos, inventário de oferta turística, além da promoção do marketing e, mais importante, a pessoa que está à frente da pasta sensibilizar a comunidade para que ela entenda qual o seu verdadeiro papel dentro do turismo na cidade.
Esse trade é composto por quais empresários?
É composto por gastronomia, meios de hospedagem, guias de turismo, agências de turismo, organizadores de eventos, transportadoras turísticas… Essa é uma cadeia muito importante no município, porque consegue fazer o movimento, e tendo um serviço de excelência, com certeza o turista volta.
Como foi sua entrada no governo do estado?
Bom, durante 2017 e 2018, eu comecei a me qualificar, ir a Florianópolis, entender como funcionava a parte pública do turismo, entender a pujança de informações que existia disponibilizada pela agência, e comecei a traçar um objetivo para a região Caminho dos Canyons, mesmo não estando na Amesc. Com isso, pude sensibilizar as pessoas-chave para formarmos uma rede de cooperação e pudéssemos planejar o que queríamos para o futuro como presente para a nossa região. Foram feitos vários levantamentos e ações, e eu fiquei próxima do governo do estado, da ex-presidente Flavia de Domenico, do presidente Leandro ‘Mané’ Ferrari e do presidente Rene Meneses. Sabendo que existia o conselho estadual, fizemos uma eleição dentro da IGR, e nesta fui eleita conselheira. Naquele período, a Santur recebeu uma demanda de Praia Grande, do ex-prefeito Henrique Maciel, que hoje está presidente, solicitando que eu fosse representante da cadeira do conselho estadual pelo trabalho que eu estava desenvolvendo como presidente da IGR. Com isso acabei ingressando na Amesc e trabalhando cada vez mais as políticas públicas para desenvolver o setor. Me sinto uma costureira do setor, acredito que o turismo não se faz sozinho, que precisamos da parte pública, da parte privada, de forma integrada no pilar da capacitação, tendo assim os maiores resultados.
Fale sobre sua recondução cadeira do Conselho Estadual da Secretaria da Agência de Desenvolvimento e Promoção de Turismo de Santa Catarina.
É meu trabalho sendo valorizado, por recursos próprios, pelo governador Carlos Moisés. O que me deixou feliz, independente de questão política, é que o governador respeita e valoriza o meu trabalho, ele entende que estou lutando pela região Caminho dos Canyons e me escolheu para ser reconduzida.
Quais os seus objetivos como conselheira?
Continuar levando as bandeiras da regionalização do Extremo-Sul catarinense para o estado, porém, eu entendo que estar conselheira é defender 295 municípios que tem vocação política, é defender o turismo dentro do estado, olhar por todas as regiões. O conselheiro tem papel fundamental ao trabalhar com as 13 regiões turísticas.
Quais suas conquistas como conselheira até agora?
Foram muitas, mas me apego no Projeto Piloto Padronizado, no valor de R$ 1.500 milhão, que vai ser implementado no estado, tendo a região Caminho dos Canyons como ponto inicial para pórticos padrões. São projetos de infraestrutura turística que hoje são o maior déficit do estado. Na região serão implantados cinco pórticos iguais em São João do Sul, Praia Grande, Jacinto Machado, Timbé do Sul e Morro Grande. É uma ação que nasceu dentro do conselho estadual do chamado Rotas Cênicas, um convite a você entrar em determinado lugar e conhecer seus produtos e atrativos.
Ainda, a sinalização turística, que foi requisito e que pontuou na chancela do Geoparque, no valor de R$ 480 mil, foi um projeto desenvolvido dentro do comitê científico do Geoparque e que teve alterações pela equipe do Geinfra, Gerência de Infraestrutura, da Santur. A sinalização será feita nos quatro municípios catarinenses que compõem o Geoparque, mais em Araranguá, Sombrio, Balneário Gaivota e Passo de Torres.
Também temos o Mirante do Farol do Morro dos Conventos, que começou com uma ideia que não se adequou em função da localização ser área de Marinha e ela desconhecer o projeto anterior. Entramos com projeto para não perder esse recurso de R$ 800 mil, e teremos corredores em forma de passarelas para não comprometer a flora e o solo e dar maior infraestrutura ao município de Araranguá, que continua sendo o município com maior arrecadação turística no vale.

Representantes do Conselho Estadual de Turismo
Leandro Ferrari Lobo
Presidente do Conselho Estadual de Turismo
Representante da Região Turística Grande Florianópolis
Ana Lúcia de Liz Vieira
IGR Serra Catarinense
Annye Mayara Bittencourt Bagio
IGR Encantos do Sul
Leandro Mané Ferrari
IGR Grande Florianópolis
Marcos Arnhold Júnior
Representante dos Bacharéis em Turismo
Ivan Blumenschein de Almeida
IGR Vale Europeu
Flávio de Melo
IGR Grande Oeste
Fábio de Paula Queiroz
Representante do setor de restaurantes e outros serviços de alimentação
Gilberto Gonçalves dos Santos
Representante dos Jornalistas de Turismo
Helen Becker
IGR Caminho dos Canyons
Gelson Jaime Walker
Representante das Empresas Organizadoras de Eventos
Walmor Jung Junior
Representante do Comércio – FCDL
Karina Baldança
Secretária Executiva do CET
Guilherme Augusto Heinemann Gassenferth
IGR Caminho dos Príncipes
Talita Cristina Casagrande
IGR Caminhos da Fronteira
Osmar José Vailatti
Representante do Setor de Hotelaria e seus Similares – ABIH/SC
Carolina Stoll
Representante dos Profissionais das Instituições de Ensino Superior em Turismo e Hotelaria
Yuri Piccoli Henz
IGR Vale do Contestado
Maria Conceição Junkces
Representante dos Agentes de Viagens e dos Transportadores Turísticos – ABAV/SC










