quinta-feira, 29 DE janeiro DE 2026
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Há um ano, Criciúma vivenciava noite de terror com o maior roubo a banco da história do Brasil

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Último dia de novembro de 2020. Um dia que não sairá da memória de muitos criciumenses, do cabo Jeferson Luiz Esmeraldino, de uma tropa cercada, de uma cidade sitiada. Oficialmente considerado o maior assalto a banco da história do Brasil, o mega-roubo em Criciúma, crime de proporções históricas, completa um ano nesta terça-feira.

Aquela segunda-feira se despedia, por volta das 23h50min, quando dez veículos de luxo – de Land Rover a BMW -, cercaram as dependências do quartel da Polícia Militar no bairro Próspera, onde é a sede do 9º Batalhão de Polícia Militar e a 6ª Região de PM, que é responsável por 27 municípios das regiões, Carbonífera e Extremo Sul catarinense.

Um plano audacioso. Ao contrário de muitas cidades pequenas e apesar de Criciúma ter cerca de 230 mil habitantes, o quartel é considerado um dos mais modernos e extensos do estado. Lá fica também a Central Regional de Emergências, também sede do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Após cercarem o local, efetuando dezenas de disparos e ainda incendiando um caminhão no portão de acesso, eles seguiram – ou parte deles -, para o alvo principal: à agência do Banco do Brasil, no coração da cidade, na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Lauro Müller. Quem passar por lá, ainda encontra algumas marcas. Rua que deixou apenas de ser a Getúlio Vargas para ser o palco da maior ação criminosa de Santa Catarina.

Dali, foram duas longas horas, madrugada à dentro. Muitos tiros, explosões, cinco reféns, que não se feriram, e a tentativa de render quem passasse pelo local. Ao menos, conforme os registros, eles alvejaram dois veículos que transitaram no entorno, um deles de uma empresa de vigilância. À época, falava-se que o vigilante também poderia ter sido alvejado, o que não ocorreu. O outro motorista também saiu ileso. Ficou o susto e a história para contar.

Após desfilarem com seus potentes armamentos e escalarem até prédios, com o dinheiro em mãos, eles deixaram, nos mesmos veículos de luxo, a área central da cidade. Sem alarde. Sem velocidade típica de fuga. Ligaram os piscas-alerta e “desfilaram”, parecendo comemorar o plano, que parece, até aquele momento, ter dado certo. Deixaram cédulas para trás, recolhidas por alguns moradores. Quatro eles foram presos com R$ 810 mil. Outros R$ 300 mil foram apreendidos pela polícia.

Com a saída, para evitar o confronto, em seguida, as forças policiais dominaram o local. Lá, os primeiros trabalhos investigativos davam início. Perícia, troca de informações, mobilização, apreensões. Quem mora em Criciúma se acostumou com os rasantes de helicópteros. Dez veículos usados, pintados de preto, e de forma amadora, foram encontrados em um milharal no bairro Picadão, em Nova Veneza, a menos de 20 quilômetros de Criciúma. Dali, novas pistas.

Um comprovante de abastecimento em um posto de combustíveis de Campinas (SP), deixado dentro de um dos carros, levou a prisão de um casal, por exemplo.

Operação Santa Forte

Na última semana, prestes a completar um ano da ação, a Polícia Civil de Santa Catarina, juntamente com o Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) e o Ministério Público de SC (MPSC), desencadeou a “Operação Santa Forte”, em uma nova fase das investigações sobre o roubo.

A primeira fase das investigações envolveu os trabalhos de diversas forças de segurança e resultou na prisão e no indiciamento de 16 pessoas relacionadas à organização criminosa responsável pelo roubo.

Agora, as investigações apontaram a participação direta de 12 pessoas no assalto: dez homens de São Paulo, um homem e uma mulher de Santa Catarina, que tiveram suas prisões preventivas decretadas pela Justiça em Criciúma.

Nessa nova fase, dez indivíduos já estão entre os 16 que respondem pelo crime de organização criminosa.

O roubo cometido teve diversas causas de aumento de pena previstas no Código Penal, como o concurso de agentes, vítimas mantidas reféns, emprego de armas de fogo de calibres proibidas, uso de explosivos, além dos crimes de dano ao patrimônio público, de incêndio e de organização criminosa. Situação ainda mais grave também atribuída aos criminosos refere-se às sérias lesões causadas ao policial militar Jeferson Luiz Esmeraldino, alvejado durante a ação, que faz o crime ser classificado como latrocínio.

OCP News

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