Deputada federal Carol de Toni comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que deixará o partido objetivando disputar o Senado Federal neste ano. A disputa não se dará pelo próprio PL porque as duas vagas de candidatos a senador pela coligação majoritária do governador Jorginho Mello (PL) serão ocupadas respectivamente pelo ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), e pelo atual senador Esperidião Amin (PP). Costa Neto chegou a tentar dissuadir a deputada de seu intento de deixar a legenda. Propôs que ela disputasse a reeleição, garantindo a parlamentar que em caso de sucesso em um novo mandato ela assumiria a liderança da bancada do PL na Câmara Federal.
Carol de Toni, no entanto, não tem plano b. Seu único objetivo em 2026 é disputar o Senado, independentemente do partido em que esteja filiada, já que todas as pesquisas eleitorais realizadas ao longo de 2025 a colocam virtualmente como uma senadora eleita.
Entre as legendas que já se ofereceram para abrigar a filiação da deputada estão o PSD, o Novo, o Avante e até o MDB, de quem ela diz ter sérias ressalvas. O Novo, por sua vez, passou a ser controlado, também, por Jorginho Mello, que convidou o prefeito de Joinville, Adriano Silva, que é filiado a legenda, para ser seu vice. Sendo assim, se Carol de Toni não tem a garantia de que será candidata ao Senado pelo PL, tal qual também não teria esta garantia pelo Novo.
Por sua vez, o comando nacional do Avante prometeu entregar o comando estadual do partido para a parlamentar, caso ela se filie a legenda para encaminhar seu projeto. Já o PSD disse que dá carta branca para Carol de Toni promover as articulações que ela achar conveniente, caso opte pelo partido para disputar o Senado.
Independentemente do futuro partidário da deputada, a família Bolsonaro já disse que irá manifestar apoio a ela em seu projeto, o que inclui o próprio Carlos Bolsonaro. Isto significa que mesmo que Carol de Toni se filie ao PSD, manifestando apoio ao projeto oposicionista do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ainda assim os Bolsonaro estariam com ela. Se esta configuração se confirmar, o governador Jorginho Mello ficaria diante de uma gigante sinuca de bico em seu projeto de reeleição.
Finais
- Tribunal Superior Eleitoral adiou para o próximo dia 10 de fevereiro o julgamento do processo de cassação do senador Jorge Seif (PL), que estava agendado para acontecer na manhã desta quinta-feira. A pauta do julgamento foi substituída por outra, ligada a normatização de várias situações envolvendo o pleito eleitoral deste ano. Caso Seif seja cassado, por suposto abuso de poder econômico no pleito eleitoral de 2022, Santa Catarina deverá eleger três senadores neste ano, ao invés de dois. Esta situação poderia fazer com que Carol de Toni revisse sua decisão de deixar o PL, ou no mínimo, se filiasse a um partido neutro, que viesse a manifestar apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho, se irmanando a Carlos Bolsonaro e Amin em torno de um mesmo projeto político para o Estado.
- Ex-deputado estadual Gelson Merisio, que está filiado ao Solidariedade, caminha a passos largos para construir uma frente de esquerda no Estado, que o apoie em seu intento de chegar à governadoria catarinense. Merisio já foi candidato a governador em 2018, ocasião em que foi atropelado pela onda bolsonarista, sob o comando do ilustre desconhecido Carlos Moisés da Silva (PSL), que lhe deixou com apenas 30% dos votos no segundo turno da eleição para governador. A pretensão de Gelson Merisio não é pequena. Ele quer reunir no mesmo barco PT, PCdoB, PV, PSB, Solidariedade e, no mínimo, a esquerda do MDB, que conta com figuras como os ex-governadores Paulo Afonso Vieira e Eduardo Moreira. O ex-deputado sonha ainda em filiar o ex-governador Raimundo Colombo ao PSB, para integrá-lo ao mesmo projeto.










