Deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) admitiu, pela primeira vez, que tem intenção de disputar a Presidência da República no ano que vem. Ele sabe que para viabilizar seu projeto precisará do apoio de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL/RJ), que, por enquanto, tem endossado apenas as pretensões neste sentido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), e da ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro (PL).
Jair Bolsonaro tem ciência que sua esposa não conseguirá ter a adesão necessária para uma candidatura desta magnitude, mas ela, sem dúvidas, é a melhor candidata a vice que Tarcísio de Freitas poderá ter. A grande questão é decidir se é melhor ter a quase certeza de vitória com Tarcísio e Michele, ou se é preferível arriscar com Eduardo Bolsonaro. Por óbvio, para a família Bolsonaro é muito melhor ganhar com Eduardo do que com Tarcísio, só que as chances de Tarcísio vencer são muito maiores do que a de Eduardo.
O presidente do PL nacional, Valdemar Costa Neto, já disse que quem decidirá o futuro do partido ano que vem será o ex-presidente Bolsonaro. De acordo com ele, a legenda apenas abonará a decisão de seu líder maior, que é quem está tratando diretamente deste tema com as demais legendas contrárias a permanência do presidente Lula da Silva (PT) no comando da Nação.
Para Lula, por sua vez, enfrentar Eduardo é muito melhor do que enfrentar Tarcísio, que governa o Estado berço do PT. Por conta da governadoria, a possibilidade de ampliação de seu leque de alianças é muito maior do que a de Eduardo, que teria que se virar apenas com a retórica do bolsonarismo para conquistar aliados em território paulista.
O que deverá nortear a decisão do ex-presidente Bolsonaro, no entanto, são as pesquisas de intenção de votos, melhor termômetro para auferir quais de seus pupilos têm mais chances de desbancar o PT da Presidência da República. Bolsonaro sabe que não pode errar, pois seu erro significará, também, o fim de seu legado. Oito anos fora do poder sepulta qualquer político na atualidade, e, no caso do ex-presidente, isto provavelmente também significaria o decreto de sua prisão, seja por qual motivo for.
FINAIS
- Amanhã a Quaest Pesquisas, uma das mais respeitadas empresas de opinião pública do país, irá divulgar levantamento sobre a avaliação do Governo Federal, que muito provavelmente não será nada satisfatória. O último levantamento, divulgado em fevereiro, mostrou o presidente Lula da Silva (PT) com mais rejeição do que aceitação, o que deve se repetir na divulgação desta semana, afinal de contas, sua gestão não mostrou nada positivamente novo nos últimos três meses. Ao contrário disto, os preços dos itens da cesta básica se mantiveram em alta e a carga tributária sobre as operações financeiras foi aumentada. A cada dia que passa fica mais difícil Lula reunir deputados federais e senadores o suficiente para manter seu governo estável. Sem dar margem para o corte de gastos, o presidente, na verdade, está empurrando sua gestão com a barriga, apostando em um milagre que provavelmente não acontecerá.
- O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação, anunciou a antecipação das etapas de inscrição, renovação e contratação do Programa Universidade Gratuita. No atual modelo, essas fases ocorrem durante o semestre, o que cria dificuldades para os estudantes, que muitas vezes precisam pagar o valor da matrícula sem saber se serão aprovados no Programa. A mudança visa garantir que os alunos já saibam de sua situação ao fazerem suas inscrições, o que, na verdade, já deveria estar acontecendo. Outro fato que precisa ser revisto pelo Programa é a real necessidade do aluno beneficiado. No modelo proposto pelo governo, qualquer catarinense pode ter acesso aos recursos do Programa para cursar uma faculdade. No entanto, como se sabe, há alunos que têm condições de pagar uma faculdade, por estarem inseridos em famílias abastadas. Nestes casos, não é justo que os impostos de nossa gente sejam utilizados a serviço de quem já tem muito.