A cúpula do MDB catarinense tem realizado de forma reiterada reuniões para discutir o futuro do partido diante do pleito eleitoral deste ano. Tudo por conta do fato de o governador Jorginho Mello (PL) ter declinado de cumprir com acordo com o partido, a quem estava reservado a vaga de candidato a vice-governador em sua chapa com vistas à reeleição. Ontem ao meio dia o próprio governador se reuniu com deputados emedebistas, tentando explicar os motivos que o levaram a convidar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para ser seu candidato a vice, ao invés de manter o projeto original de ter um emedebista como seu vice. Na ocasião o governador pediu que o MDB não se afastasse de seu projeto de reeleição, mas, ao que tudo indica, a legenda deverá alçar voo próprio no pleito deste ano.
Em princípio, o MDB deverá lançar candidato ao Governo do Estado, ainda que com chapa pura. O partido sabe que se trata de um projeto de difícil viabilização eleitoral, com poucas chances de seguir para o segundo turno. Todavia, é a melhor maneira que a legenda tem de tentar assegurar suas seis cadeiras na Assembleia Legislativa e outras três na Câmara Federal, que detém no atual mandato. Em uma aliança com Jorginho Mello a expectativa é a de que se pudesse alcançar oito vagas na Assembleia, mantendo ainda as três da Câmara. Já em uma aliança com João Rodrigues, que é pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, as perspectivas não são nada alvissareiras. Em um cenário como este o MDB teme perder tanto cadeiras na Assembleia quanto na Câmara, pois o perfil dos candidatos proporcionais ao PSD se assemelha aos do MDB.
Os nomes discutidos dentro do partido para uma candidatura ao governo são o do deputado estadual Antídio Lunelli, que já foi pré-candidato ao governo em 2022, e o do deputado federal Carlos Chiodini, que também é o presidente estadual do partido.
Este projeto, nem de longe, estava nos planos do MDB, que, desde o início do mandato do governador Jorginho Mello vinha se dedicando a construir uma aliança com o governador.
Depois que Jorginho destinou a vaga de candidato a vice em sua chapa ao Novo, através de Adriano Silva, uma aliança com o governador passou a ser a última opção de parceria do MDB, não existindo, ao menos neste momento, nenhum líder do partido que defenda esta tese. Nem mesmo do deputado estadual Jerry Comper, que é o atual Secretário de Estado da Infraestrutura, apoia a ideia de uma aliança com Jorginho sem que o MDB participe de sua majoritária.
Uma aliança com o PSD de João Rodrigues até poderia ser viabilizada, mas isto precisaria passar pelo mapeamento de candidaturas a deputado federal e estadual que beneficiassem o MDB, o que não é nada fácil de ser viabilizado. Outra alternativa será uma aliança com a esquerda, mas o segmento bolsonarista do partido, representado justamente por figuras como Antídio e Chiodini, é radicalmente contra.
O desgaste de Lula se evidencia
Ao observar os levantamentos mais recentes da pesquisa Genial/Quaest, percebe-se que uma interpretação superficial poderia sugerir que o presidente Lula caminha com tranquilidade para um quarto mandato, dado seu desempenho nas simulações de confronto direto. Contudo, uma análise mais profunda revela um cenário de incerteza, onde o principal desafio do atual governo não é apenas a oposição, mas o nítido esgotamento da imagem presidencial perante o eleitorado. Os indicadores mostram que a desaprovação da gestão superou a aprovação e que a rejeição ao nome do presidente apresentou uma trajetória de alta entre o início de 2025 e fevereiro de 2026. Nota-se, simultaneamente, que a vantagem competitiva que Lula detinha sobre adversários como Flávio Bolsonaro sofreu uma redução drástica em poucos meses. Embora o partido tente suavizar esses dados, o próprio presidente demonstra ciência do risco ao adotar um tom beligerante em seus discursos, tratando a sucessão como uma verdadeira batalha de narrativas.
As estratégias são antigas
Ocorre que a estratégia de comunicação adotada parece insistir em fórmulas do passado, focadas em pacotes de gastos e no embate de classes, ignorando que o perfil do eleitor brasileiro se transformou. Atualmente, o voto decisivo pertence a uma classe média que busca eficiência estatal e ascensão social, distanciando-se do modelo de Estado intervencionista que é a marca do petismo. Enquanto o apoio na base da pirâmide social se mantém, o governo enfrenta forte resistência nos setores intermediários e hostilidade nas faixas de renda mais altas. Dessa forma, a percepção que se consolida é a de que o atual ocupante do Planalto, aos 81 anos, foca excessivamente no que já foi feito em vez de projetar o amanhã, o que explica por que uma parcela significativa da população rejeita a ideia de continuidade. Uma nova vitória governista pode acabar dependendo mais da fragmentação da direita do que de uma força política própria. Com nomes como Flávio Bolsonaro e Ratinho Júnior disputando o protagonismo da oposição, o primeiro turno funcionará como uma espécie de eliminatória interna do campo conservador. O desfecho da eleição dependerá, portanto, da capacidade da oposição de se unir no segundo turno ou da habilidade do governo de finalmente oferecer algo que vá além do repetitivo repertório político de décadas passadas.
Final
- PSD catarinense tem interpretado a ação do Gaeco, na região de Criciúma, que culminou com buscas na casa do ex-prefeito Clésio Salvaro (PSD), como parte de um esquema focado em retaliação política. O objetivo seria desgastar a imagem de Salvaro, que já foi preso em 2024, para evitar sua projeção eleitoral neste ano. Na campanha municipal daquele ano, aliás, os marqueteiros do então candidato a prefeito Vaguinho Rodrigues (PSD), que era o candidato de Salvaro ao Executivo Municipal, exploraram amplamente a prisão como parte de um processo voltado a desgastar a imagem do partido. Diante de tantas denúncias e evidências contra Salvaro, no entanto, a grande questão é saber até quando o PSD irá se dispor a tampar o sol com a peneira.










