A sombriense Gabrieli Mateus mora há dois anos na cidade gaúcha de Arroio do Meio, na região mais atingida pela enchente que a dez dias provocou uma tragédia no Rio Grande do Sul. “Moro em uma parte mais alta e aqui não foi atingido, mas o centro da cidade devastou bastante. Já o meu marido estava em Roca Sales no dia que encheu tudo. Ficamos sem comunicação, eu achando que ele podia estar morto, e ele pensando o mesmo sobre mim. A minha mãe em Sombrio também não conseguia falar comigo, foi desesperador”, conta.
O marido de Gabrieli é o médico Patrick Bobsin, que na segunda-feira, dia 4, quando aconteceu a enxurrada, estava trabalhando no hospital de Roca Sales, a cidade mais destruída pelo temporal.
Em entrevista à Rádio 93.3 FM, dr. Patrick relatou as horas de pânico que passou ao lado da equipe do hospital e de 13 pacientes. Ele diz que por volta das 19 horas a água alcançou os primeiros degraus do hospital, e continuou subindo. Todos se refugiaram no segundo andar, onde os pacientes já estavam. “De lá eu via a água arrastando os móveis do primeiro andar, batia tudo. Tentamos salvar alguns equipamentos antes disso, colocando em cima das macas, achando que a água não subiria tanto”, lembra. Quando parecia que o segundo andar também seria inundado, o médico, único homem na equipe, passou a tentar abrir uma porta que dava acesso a um lance mais alto do prédio, que ainda estava em obras e, portanto, trancado. “Consegui arrombar a porta me jogando contra ela. Conseguimos avisar o secretário de saúde e ficamos lá até o resgate chegar, de madrugada”.
Para piorar a situação, a luz desligou totalmente e a internet deixou de funcionar, dificultando a comunicação entre as pessoas. “A gente ouvia estouros da energia elétrica, muito barulho”, conta Patrick.

Até a última segunda-feira, o médico ainda não havia voltado ao hospital devastado, embora continuasse trabalhando.
Patrick e Gabrieli vêm com frequência a Sombrio e Balneário Gaivota, visitar a família dela. Depois desta experiência assustadora e de ver tanta tristeza, a tranquilidade do Extremo-Sul catarinense deve parecer ainda mais acolhedora.










