Com o início do ano letivo se aproximando em grande parte das redes de ensino do país, muitas famílias brasileiras vivem um momento de expectativa — e apreensão. A mudança de escola, seja por transferência, avanço de série ou escolha de uma nova instituição, representa um marco importante na vida de crianças e adolescentes e pode gerar impactos emocionais significativos se não for bem conduzida.
Especialistas apontam que, embora a adaptação faça parte do desenvolvimento, o período de transição exige atenção dos pais e responsáveis, sobretudo em um contexto em que a saúde emocional ganhou protagonismo no ambiente escolar.
Ansiedade é comum, mas não deve ser ignorada
A troca de escola envolve mudanças de rotina, afastamento de amigos, novos professores e regras diferentes. Em crianças menores, o medo costuma estar ligado à separação e ao desconhecido. Já entre adolescentes, surgem preocupações com aceitação social, desempenho acadêmico e pertencimento a novos grupos.
Sinais como dificuldade para dormir, queda no apetite, irritabilidade, dores físicas sem causa aparente e resistência em falar sobre a escola podem indicar que a ansiedade está além do esperado. Psicólogos afirmam que a maioria das crianças se adapta em até quatro semanas, mas o acompanhamento próximo evita que o desconforto se transforme em problemas mais duradouros, como baixa autoestima ou evasão escolar.
Diálogo aberto fortalece a segurança emocional
Conversar com os filhos antes do início das aulas é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o impacto da mudança. Perguntas simples, como “o que você acha que vai ser legal na nova escola?” ou “tem algo que te deixa preocupado?”, ajudam a criança a nomear sentimentos e se sentir acolhida.
Especialistas recomendam que os pais expliquem os motivos da mudança de forma clara e honesta, sem desqualificar a escola anterior. O foco deve estar nas oportunidades: novos aprendizados, atividades diferentes e chances de fazer novas amizades. Para crianças menores, histórias, desenhos e exemplos do cotidiano ajudam na compreensão; para adolescentes, o diálogo deve incluir expectativas acadêmicas e sociais.
Visitas e familiarização reduzem o impacto do primeiro dia
Sempre que possível, visitar a nova escola antes do início das aulas faz diferença. Conhecer salas, pátio, biblioteca e professores cria familiaridade e diminui o medo do desconhecido. Participar de reuniões de acolhimento ou dias abertos também facilita a adaptação.
Outra estratégia eficaz é envolver a criança na preparação do material escolar e do uniforme, transformando o momento em um ritual positivo. Rever a lista com antecedência e organizar os itens juntos ajuda a criar vínculo com a nova etapa.
Rotina estável traz previsibilidade e confiança
Manter horários regulares de sono, alimentação e estudos nos dias que antecedem o início das aulas contribui para uma transição mais tranquila. Simular o horário escolar, testar o trajeto até a escola e preparar lanches antecipadamente ajudam a reduzir a ansiedade do primeiro dia.
A socialização prévia também é indicada. Sempre que possível, estimular contatos iniciais com colegas ou participar de atividades extracurriculares facilita a criação de vínculos e acelera o sentimento de pertencimento.
Acompanhamento nos primeiros dias é essencial
As primeiras semanas merecem atenção redobrada. Perguntar sobre o dia, valorizar pequenas conquistas e manter contato com professores ajudam a identificar rapidamente possíveis dificuldades. Em casos de choro persistente, isolamento, queda brusca no rendimento ou resistência contínua em frequentar a escola, a orientação é buscar apoio da instituição ou de um profissional especializado.
Educadores ressaltam que a parceria entre família e escola é decisiva nesse processo, especialmente quando há histórico de dificuldades de aprendizagem ou questões emocionais já identificadas.
Benefícios que vão além da sala de aula
Quando bem acompanhada, a mudança de escola pode fortalecer habilidades importantes para a vida adulta, como autonomia, resiliência e capacidade de adaptação. Em um mundo cada vez mais dinâmico, aprender a lidar com transições desde cedo é um diferencial.
Com o retorno às aulas cada vez mais próximo, especialistas reforçam: preparação, escuta e presença são os principais aliados das famílias para transformar a mudança em um recomeço positivo — tanto para os filhos quanto para os pais.










