Antigo porto do Rio da Laje será reconstruído em Sombrio

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Como marco das festividades dos Setenta anos de Instalação do Município de Sombrio, além da despoluição do Rio da Laje, um Porto Fluvial, com plataforma apropriada para ancoragem, embarque e desembarque será construído. Será construído também um memorial onde constarão alguns dados e objetos históricos, bem como fotografias de embarcações, e, sobretudo as imagens de Santo Antônio de Pádua e Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem vem diretamente do Santuário de Aparecida do Norte.

Procissão lacustre, de Santa Rosa do Sul a Sombrio. Novembro de 1949.

Essas imagens entrarão em Sombrio, pelo Rio da Laje, perfazendo o mesmo caminho dos antepassados e a trajetória percorrida pela imagem de Santo Antônio, em novembro de 1949. Tudo isso será precedido por solenidades civis, religiosas e outras atividades comemorativas, que devem orgulhar os sombrienses, que sempre primaram pelo desenvolvimento e preservação da memória do município de Sombrio.

Emitiba

O município de Sombrio nasceu quando ainda era habitado por indígenas. Seu nome original era Emitiba, que pode ser traduzido como: emaranhado de cipós ou praia alta. Um não exclui o outro.

Padre João Reitz com uma equipe de homens influentes de Sombrio, em audiência com o governo estadual, em Florianópolis, para tratar sobre a emancipação do município de Sombrio.

Os primeiros sacerdotes a visitarem Emitiba foram os franciscanos espanhóis, Frei Bernardo de Armenta e Frei Afonso Lebron, em 1537, e permaneceram percorrendo o litoral até 1541, conforme crônicas de Frei Bernardo de Armenta.

Mais tarde, em 1605, os padres jesuítas portugueses, João Lobato e Jerônimo estabeleceram o ponto de apoio de sua missão, em Emitiba, onde permaneceram de 1605 a 1607.

Segundo crônica dos padres João Lobato e Jerônimo, “suas primeiras missas em Embitiba foram celebradas em 24 de agosto de 1605”.

Apesar das dificuldades físicas, econômicas e culturais, a presença da Igreja Católica Apostólica Romana, sempre foi muito marcante na formação e desenvolvimento do município de Sombrio.

Os primeiros habitantes não indígenas, se estabeleceram para povoar as terras, traziam na bagagem, imagens como sinal de devoção e fé. Com as raras visitas de Padre Antônio Luís Dias, que vinha de Araranguá, as famílias foram se estabelecendo sempre mais e se reunindo para rezar.

De maio de 1934 a novembro de 1937 já havia a permanência de padres na Vila Sombrio. Mas, foi a partir de , quando Padre João Reitz pisou pela primeira vez na cidade, que o desenvolvimento e expansão do município tomaram forma.

Padre João assumiu o seu trabalho de Pároco, como uma missão, não só no setor pastoral, mas também no aspecto educacional, cultural, social e político. Todos esses aspectos eram trabalhados e se completavam.

Na época, a comunicação era muito precária. Telefone não havia; internet muito menos. As estradas eram ‘carreiros’, ou seja, trilhas para carro de bois ou carroças. Como a Vila de Sombrio era bem servida de rio e lagoas, a população se utilizava da navegação para se deslocar de um lugar para o outro.
É aqui que entra em cena o Porto Fluvial do Rio da Laje.

Porto

Desde os tempos mais remotos, o transporte de mercadorias, animais de pequeno porte e pessoas era feito por embarcações, desde canoas construídas de um único tronco, até embarcações maiores e mais robustas, movidas a motor ou a remo, as lanchas.

Havia, então, os empresários com suas frotas de lancha, que faziam o trajeto, Sombrio-Torres/RS, pela Lagoa de Sombrio, entre eles estavam Arlindo João Santos, Lauro Spindler, Oscar Spindler, Leodoro Shäeffer, João Freitas Martins, Jaci José Mattos, Manuel Valerim e outros.

A viagem demorava um dia inteiro. A ‘Barrinha’ era o ponto de parada para o almoço. Cardápio: peixe frito, arroz e feijão mexido com farinha de mandioca.

Todo o tráfego fluvial e lacustre demandava um porto. Porém, o porto não era problema. Ele já existia desde tempos remotos, antes mesmo da Vila Sombrio ser povoada. Era um ancoradouro natural, utilizado pelos mais antigos, tendo em vista a sua paisagem espaçosa, profundidade do rio e ponto estratégico, que permitia a ancoragem de embarcações, pequenas ou maiores e o embarque e desembarque, com segurança.

Santo Antônio

Santo Antônio de Pádua, padroeiro de Sombrio, cuja imagem exclusiva, esculpida pelo artista Michelangelo Zambelli, veio de Caxias do Sul, entrou solenemente em Sombrio, navegando pela Lagoa de Sombrio, pelo Rio da Laje e desembarcou no Porto Fluvial, na tardezinha de 12 de novembro de 1949, acompanhado por uma frota de lanchas repletas de devotos.

A 101

Com a construção da BR-101 e de outras rodovias, a navegação se tornou obsoleta e o porto foi esquecido pelos mais jovens que não mais o utilizavam para transporte, como em tempos remotos, este espaço foi sendo aos poucos invadido pela vegetação e por construções que ocuparam o seu entorno, tornando-se impraticável.

Recordações

Mesmo assim, para os mais antigos, o Porto situado no encontro do Rio da Laje com o início da Rua Padre João Reitz, é um local nostálgico e de muitas recordações.

Visita paroquial acompanhada de lideranças. Navegando pela lagoa de Sombrio.
Visita Pastoral: Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Rumo a Passo de Torres, pela lagoa de Sombrio, em 1943. Acompanhado do Padre Reitz e lideranças.

Assim, em 2024, no intuito de comemorar os 70 anos de Instalação do Município de Sombrio, como marco comemorativo, veio à tona a ideia de presentear o povo sombriense com a revitalização do Porto Fluvial do Rio da Laje.

Para tanto foi necessário realizar o desassoreamento do rio, pela administração municipal, o qual se encontrava em péssimas condições, com todo tipo de entulho, desde galhos trazidos pelas enxurradas, até descarte de móveis, eletrodomésticos e animais mortos. Enfim, realizada a limpeza do rio, para a alegria de todos, este passou a ser navegável, novamente, possibilitando as atividades portuárias.

Local atualmente

Porto fluvial do Rio da Laje, tomado pela vegetação em 2012.

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