Júri condena a mais de 50 anos de prisão o assassino de Brenda

Jeferson foi encaminhado ao Presídio Regional de Araranguá, onde cumprirá o restante da pena de 52 anos, 4 meses e 9 dias de prisão
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Julgamento de Jeferson de Quadros Peres, que assassinou a adolescente Brenda Rocha Carvalho, em 2019, ocorreu ontem em Santa Rosa do Sul. Brenda morava com a mãe em Maracajá e foi assassinada, de forma brutal, em Passo de Torres

Santa Rosa do Sul

Maracajá

Ocorreu ontem, em Santa Rosa do Sul, o julgamento de Jeferson de Quadros Peres, de 31 anos, que assassinou a adolescente Brenda Rocha Carvalho, em setembro de 2019, quando a garota tinha 14 anos. O Júri Popular aconteceu na Câmara de Vereadores da cidade e não foi aberto à população, devido à pandemia do novo coronavírus.

O Júri foi presidido pelo juiz Renato Della Giustina, na acusação estava o promotor de justiça Paulo Henrique Lorenzetti da Silva. Na defesa do réu os advogados Emiliano Leffa Boff e Cesar Paganini Teixeira. Esta foi a maior pena aplicada para um crime de homicídio em 18 anos, na Comarca de Santa Rosa do Sul.

Jeferson foi condenado a mais de 50 anos de prisão. O réu teve reconhecido o crime de homicídio qualificado com todas as majorantes apontadas, motivo torpe, meio cruel, meio que dificultou defesa da vítima e feminicídio, resultando na pena de 52 anos, 4 meses e 9 dias em regime fechado.

Familiares e amigos de Brenda comemoraram a pena aplicada a Jeferson, eles ficaram o dia inteiro em frente à Câmara de Vereadores de Santa Rosa do Sul, onde estava ocorrendo o julgamento. No encerramento, eles bateram uma salva de palmas para Brenda.

“A justiça foi feita, mas a Brenda nunca mais vai voltar. A justiça dos homens foi feita, mas ele terá muita coisa para acertar com a justiça divina. Eu posso viver 100 anos, mas nunca vou esquecer o dia 13 de setembro”, Cristiana da Rocha, mãe da menina Brenda.

“A Brenda sempre foi uma menina alegre, do bem, foi muito difícil para nós entendermos que nossa princesinha não estava mais com a gente. Dói lembrar que o monstro que matou minha sobrinha era uma pessoa próxima de nós. Hoje viemos todos do Rio Grande do Sul, pois queríamos assistir ao julgamento, mas chegamos aqui e fomos informados que não poderíamos assistir devido à Covid. Ficamos aqui na rua o dia todo, esperando para ouvir o veredito, onde a justiça foi feira. Nunca vai trazer nossa Brenda de volta, mas a justiça foi feita”, falou o tio de Brenda, Gildo Martins da Rocha.

Para o advogado da família de Brenda e assistente de acusação, Bruno Filipini Abrão, a justiça foi feita. “Tínhamos a expectativa desse resultado sério, que foi satisfatório para família e para sociedade. A gente sabe que nada vai trazer a menina Brenda de volta, mas os familiares vão se sentir um pouco mais acalentados. Foi um Júri complexo cansativo, mas a justiça foi feita”, ponderou.

O crime

Brenda morava com a mãe, há poucos meses em Maracajá, onde foi vista, pela última vez, próximo ao ginásio de esportes do município, numa noite de sexta-feira, dia 13 de setembro de 2019. A adolescente teria saído para fazer as unhas e não retornou mais para casa. Na manhã de sábado, dia 14 de setembro de 2019, familiares procuraram pela CPP, a Central de Plantão Policial, de Araranguá, para registrar um Boletim de Ocorrência do desaparecimento.

Também na manhã do dia 14 de setembro, o corpo de Brenda foi encontrado na comunidade de Furacão, interior de Passo de Torres, em meio a uma plantação de eucaliptos. Já no dia foi possível perceber que Brenda havia sido bastante espancada e atingida por muitos golpes de faca.

O laudo do IGP, o Instituto Geral de Perícias, apontou que Brenda teve traumatismo craniano, devido a uma pancada na cabeça, várias lesões na face, lesões perfurocortantes no pescoço, nuca, tórax e torso. No laudo também consta lesões de defesa e escoriações na face. Ao concluírem o laudo, os peritos destacam que Brenda teve o corpo perfurado por aproximadamente 60 perfurações, de entrada e saída.

O inquérito

De acordo com o delegado Lucas Fernandes da Rosa, que presidiu a investigação do caso Brenda, as câmeras de vigilância do ginásio e do entorno dele ajudaram a elucidar os fatos. “Nós fomos até a cidade de Maracajá e começamos a fiscalizar câmeras de segurança para conseguirmos alguma pista, que pudesse dar indicativo do que tinha acontecido e a principal informação que nós tínhamos é que a vítima teria ido fazer unha e ao sair da casa desta manicure não tinha mais voltado para sua residência. Próximo à residência dessa manicure existe um ginásio municipal e verificamos que duas câmeras davam para a lateral e a frente da casa da manicure. Começamos a trabalhar com estas imagens e no decorrer das análises, pelos agentes da DIC, a Divisão de Investigação Criminal, começamos a perceber o horário em que a vítima saia da residência e logo em seguida, quando ela estava caminhando, a gente percebeu que um veículo passou devagar do lado dela, parou e ela entrou. Nós conseguimos descobrir que aquele veículo era um Corsa, de cor verde escuro, e conseguimos traçar todo o trajeto deste veículo, pelas câmeras de segurança da cidade de Maracajá. A partir daí começamos a verificar os eventuais suspeitos e ao ouvir as testemunhas na Delegacia de Polícia, percebemos que um amigo da família começou a apresentar um comportamento estranho, então começamos a investiga-lo e descobrimos que ele possuía um veículo com as mesmas características que foi utilizado na ocasião em que a vítima ingressou no carro”, contou o delegado na época do crime.

A investigação da Polícia Civil descobriu que no dia em que Brenda sumiu, Jeferson, o amigo da família e ex-namorado da mãe de Brenda, havia estado em Maracajá e retornado para Três Cachoeiras, no Rio Grande do Sul, local onde morava. Outras diligências foram feitas e com o conjunto probatório bem robusto, o delegado Lucas, na época, pediu pela prisão temporária do suspeito e pela busca e apreensão do veículo. Ambos os pedidos foram acatados pelo Poder Judiciário.

A prisão

Em seu depoimento formal na delegacia, Jeferson confirmou o que já tinha dito em entrevista informal aos delegados e policiais civis, que efetuaram sua prisão no dia 17 de setembro de 2019, três dias após do crime. O assassino foi preso em Torres, no Rio Grande do Sul, e confessou que matou Brenda, por ciúmes da mãe dela.

O criminoso contou aos policiais que chamou Brenda para o carro, para conversar com a menina sobre a mãe dela e que quando foi chegando próximo a Bela Torres, em Passo de Torres, a garota desceu do veículo para urinar, momento em que ele cometeu o crime e matou Brenda com diversos golpes de faca. O assassino confesso e condenado, disse na fase do inquérito policial, que estava com muita raiva no momento do crime, alegou que tinha envolvimento com a mãe de Brenda e que ela tinha envolvimento com outros homens, motivo pelo qual matou a menina.

Após o julgamento, Jeferson foi encaminhado por policiais penais ao Presídio Regional de Araranguá, onde cumprirá o restante da pena de mais de 50 anos de prisão.

Familiares de Brenda acompanharam o julgamento da frente da Câmara de Vereadores e comemoraram a sentença
Brenda morreu aos 14 anos, pelas mãos do ex-namorado da mãe, homem, que ela tinha total confiança

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