É claro que todos gostaríamos de ser sempre alegres e felizes, não é mesmo? Mas isto é impossível. A felicidade e a tristeza não são constantes. Ambas variam e oscilam; ora predomina uma, ora outra. Ocorre que nem sempre depende da nossa vontade. Nós projetamos as nossas vidas para sermos felizes. Programamos tudo certinho. Cada um sabe bem o que quer e do que precisa. Os gostos variam. Por isso diz-se que a felicidade é subjetiva.
A nossa mente não tem limites para idealizar sonhos. E não tem porque ela age num plano abstrato. Usamos muito a imaginação. E nesta não há limites. Ela é infinita. Podemos desejar qualquer coisa ou pessoa. Por exemplo, quando criança eu sonhava em voar como os pássaros. Invejava-os. Imaginava como deveria ser maravilhoso voar de um lado para o outro, com ampla liberdade, entretanto, nunca consegui. Querer é uma coisa, realizar é outra.
De forma quê, para a nossa imaginação não há limites, mas para o nosso corpo e a nossa realidade sim. O corpo é frágil, é matéria, é pesado e com prazo de validade. De repente, envelhecemos. O vigor físico, o entusiasmo e a beleza da juventude se esvaem. A qualquer momento um de nós ou alguém que amamos pode adoecer, acidentar-se ou morrer. E isso é realidade. E os nossos erros, hein? Como nos arrependemos e sofremos por tê-los cometido. Esquecemo-nos de que somos humanos, demasiadamente humanos… E que o erro faz parte da nossa humanidade.
E os nossos amores? Feliz de quem encontra alguém a quem ama e, em especial, por quem é amado. Este é um terreno minado. Perigoso. É preciso ter muita habilidade para não sofrer. Ser tolerante, compreender e perdoar ao outro para, quem sabe, também sermos perdoados. Nem sempre o sucesso de uma relação depende da nossa vontade e atitudes. Às vezes, o parceiro pensa diferente, ou se apaixona por outra pessoa. E voa. E os filhos? Tantos sonhos que temos para eles. Mas muitas vezes seus sonhos são diferentes. E assim por diante. A todos é preciso respeitar e aceitar. Suas alegrias e suas tristezas.
Quando eu vejo a tristeza no semblante de alguém, entristeço-me com este alguém. Sinto vontade de dizer-lhe, e às vezes digo, que um bom remédio para espantá-la ou amenizá-la é usar a inteligência. Temos que ter mais consciência das nossas realidades, fragilidades e limitações. Sabermos bem aquele ou aquilo que nos é possível ter ou fazer… E o que não nos é. E daí então procurarmos usar todos os recursos que conhecemos e dispomos, tanto físicos como emocionais. Procurar a felicidades nas coisas mais simples e em pessoas mais acessíveis. O importante é não nos deixarmos abater pela tristeza a ponto de ela transformar-se em depressão. Aí sim, poderemos entrar num labirinto de difícil saída… Ou, às vezes, sem saída.








