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Mulher presa por envenenar bolo que matou três pessoas em Torres pode ter ligação com morte do sogro

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A mulher presa por suspeita de envenenar um bolo que causou a morte de três pessoas em Torres, no Rio Grande do Sul, também está sendo investigada pela possível ligação com a morte do próprio sogro, ocorrida em setembro. Deise Moura dos Anjos, nora de Zeli Terezinha Silva dos Anjos, 61 anos, teria desavenças antigas com a sogra, conforme divulgado em coletiva pela Polícia Civil nesta segunda-feira (5).

De acordo com as autoridades, o marido de Zeli teria falecido por intoxicação alimentar, mas as circunstâncias levantaram suspeitas de que o envenenamento possa ter sido a verdadeira causa da morte. “As coincidências levam a crer que também tenha ocorrido envenenamento na morte do marido de Zeli”, afirmou a delegada regional Sabrina Deffente.

A exumação do corpo do homem já foi solicitada, e o trabalho será realizado em breve, segundo a delegada. Marguet Hoffmann, diretora do Instituto-Geral de Perícias (IGP), explicou que o tempo decorrido desde a morte não comprometerá as análises, cujo objetivo será identificar vestígios de arsênio no cadáver.

Arsênio em concentrações letais

Os laudos periciais do caso do bolo já confirmaram a presença de arsênio em doses letais. A substância foi detectada na farinha utilizada para preparar a sobremesa, em amostras de sangue e urina de sobreviventes e no conteúdo estomacal de uma das vítimas fatais.

“Foram encontradas concentrações altíssimas de arsênio, que excluem qualquer possibilidade de intoxicação alimentar acidental”, destacou a diretora do IGP.

A análise revelou que a farinha continha 65 gramas de arsênio por quilograma, o que representa um nível 2,7 mil vezes maior do que o encontrado no bolo. Já nas vítimas, a substância apareceu em quantidades de 80 a 350 vezes acima da dose considerada letal.

Motivações em investigação

O delegado Marcos Vinicius Muniz Veloso, responsável pela Delegacia de Polícia de Torres, ressaltou que, apesar de a família aparentar ter uma convivência harmoniosa, existiam desavenças entre Zeli e a suspeita. “São provas robustas que justificam a prisão e serão utilizadas para o indiciamento. No entanto, os motivos apontados para o crime são completamente desproporcionais”, afirmou.

A investigada foi detida com base em um mandado de prisão temporária e está no Presídio Estadual Feminino de Torres. Ela responderá por triplo homicídio duplamente qualificado e tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada.

Nota da defesa

A defesa de Deise Moura dos Anjos, conduzida pelos advogados Manuela Almeida, Vinícius Boniatti e Gabriela S. Souza, emitiu uma nota à imprensa. Segundo o texto, até o momento, os advogados ainda não tiveram acesso integral às investigações, mas estão acompanhando o caso. A defesa informou que se manifestará em momento oportuno.

O caso segue em investigação.

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