Por várias semanas vimos circular pela internet uma frase muito interessante: “Primeiro você começa, depois você melhora”. O que parecia algo simples com teor muito positivo, viralizou e inspirou muita gente. Pesquisei e não consegui descobrir quem iniciou e espero não descobrir quem o pare. Coisas boas, que nos transmitem uma mensagem positiva e que nos impulsionam para frente, deveriam durar muito e deveriam continuar alastrando-se.
Ninguém nasce sabendo, não é o que sempre ouvimos? Então, por que ainda insistimos em pensar que precisamos estar preparados para tudo? Você não vai ou foi à escola porque sabia. Você foi para aprender. Então, não deveria ter se sentido inibido em perguntar quando tinha dúvidas. Tem gente que tem vergonha de fazer perguntas em público por medo de ser ridicularizado. Os meus colegas de escola que mais perguntavam, eram os que tinham as melhores notas. Não é feio perguntar! Questionar não fará você ser visto como estúpido. Questionar nos ajuda a esclarecer dúvidas. Perguntas estúpidas são para aquele tipo de gente que sabe a resposta e insiste em questionar.

Como não nascemos sabendo, imagine um bebê no berço. Quantas vezes você viu um bebê descer do berço e caminhar com passos firmes pela primeira vez, como se já soubesse caminhar ou correr por tudo sozinho? Não, isso não acontece. Então vamos outra vez analisar um bebê no berço. Ele não salta e sai caminhando com passos firmes. É um processo de passos errados, de perda de balanço, de cair e levantar até encontrar o equilíbrio. Mas ele não desiste a cada vez que cai. Ele levanta e segue em frente. Talvez porque tem alguém na frente dizendo, “vamos lá!”, “força!”, “você consegue!”. “Vamos lá! Mais um passinho. Estou aqui pra você!”.
Infelizmente, nem sempre temos uma pessoa ao nosso lado que nos dê essa força de espírito ou esse impulso que o bebê tem do pai ou da mãe ou da irmã(o) mais velho(a) ou de um(a) tio(a) ou de um(a) avô (ó). Talvez não tenhamos alguém que nos segure pela mão e nos encoraje a seguir em frente. Às vezes é mesmo como andar de bicicleta. A gente precisa perder o balanço, cair, se estatelar, levantar e continuar tentando melhorar até encontrar o equilíbrio certo.
Vou lhe contar uma história. Outro dia, ao falar com duas de minhas irmãs (não vou dizer o nome porque senão uma delas ficará chateada comigo), falamos sobre como aprendemos a andar de bicicleta. Questionei sobre a tal que nunca pedalou uma. Fiquei então sabendo que logo na primeira tentativa ela caiu e machucou-se. Frustrada e chateada, desistiu. Nunca tentou novamente. Nunca soube como é bom andar de bicicleta.
Quem viveu nos anos 70, deve lembrar-se daquela bicicleta Monark de barra circular. Pois então, foi numa dessas que aos 7 anos de idade, eu aprendi a pedalar. Pequena, eu não tinha capacidade de passar a perna por cima da barra. O jeito era tentar o melhor equilíbrio enfiando a perna direita através do círculo no meio da bicicleta para alcançar o pedal do outro lado. Se aprender a pedalar uma bicicleta já é uma aventura para equilibrar-se em duas rodas, imagine uma miniatura de gente que eu era, tentando equilibrar-me quando a bicicleta pendia mais para o meu lado esquerdo. Concluindo: era necessário um equilíbrio dobrado para atingir o meu objetivo. Claro que me estatelei, me arrebentei em pilhas de pedras e em moitas de rosetas. Voltava para casa para cuidar das pernas e braços ralados, levar o rosto e o nariz sangrando, mas nunca desisti. Amo andar de bicicleta.
Quando alguém me pergunta sobre o que é a Inteligência Emocional, eu ilustro com este exemplo. É cair, levantar-se, sacudir a poeira e seguir rindo dos próprios erros. É transformar uma situação negativa em positiva. Quem assim vê a vida e os obstáculos que surgem ao longo da jornada, está preparado para qualquer desafio.
Retorne ao início se for preciso. Aprenda que as quedas, as dores e as cicatrizes fazem parte do processo de crescimento e que as melhores e maiores lições que aprendemos são quando investimos tempo, dedicação, paixão e persistência.
Não sabe como ou por onde começar? Dê o primeiro passo. Talvez assim como um bebê, você perca o balanço e caia, mas se mantiver a cabeça erguida em direção aos seus sonhos, passo a passo você chegará lá. Não corra contra o tempo. Vá alterando a velocidade aos poucos. Vá aprimorando a sua ideia ou seu produto.
Se você é como eu, que vai à luta não importando os tombos na vida, você certamente irá longe em seus propósitos. Mas se você é como aquelas pessoas que na primeira vez que pegou uma bicicleta, caiu, se estatelou e desistiu porque achou impossível seguir em frente, desculpe-me dizer mas está na hora de repensar sua vida e começar de novo.
Dentro de nós existe uma força interior capaz de mover muitos obstáculos à nossa frente, mas você só saberá ao tentar usá-la. Vamos lá? Avante! Comece já!
Parabéns pela publicação