Governos aliados ao regime chavista reagiram com indignação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela que, segundo o ex-presidente norte-americano Donald Trump, resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Enquanto países como Rússia, Irã e Cuba denunciaram a violação da soberania venezuelana, a União Europeia pediu contenção e respeito ao direito internacional. Em sentido oposto, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a operação, ampliando a polarização política na América Latina.
A Rússia exigiu “esclarecimentos imediatos” sobre o paradeiro de Maduro e classificou a ação como “profundamente preocupante e condenável”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que não havia justificativa para o ataque e acusou os Estados Unidos de priorizarem a “hostilidade ideológica” em detrimento da diplomacia, além de denunciar uma clara violação da soberania venezuelana.
O Irã, aliado histórico do chavismo, repudiou “firmemente” a ofensiva norte-americana, classificando-a como uma “flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial” da Venezuela. Já Cuba foi ainda mais dura: o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que se trata de “terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a América”, pedindo uma reação da comunidade internacional ao que chamou de “ataque criminoso” dos EUA.
Na América do Sul, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou os ataques com mísseis em Caracas e determinou a mobilização de tropas na fronteira. Petro também solicitou uma reunião imediata do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise, aproveitando o fato de o país ocupar, neste ano, uma cadeira não permanente no órgão.
Na Europa, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu “contenção” e respeito ao direito internacional após conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Embora a UE considere Maduro sem legitimidade democrática e defenda uma transição política na Venezuela, Kallas ressaltou que “em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados”. O bloco afirmou ainda que acompanha de perto a situação e que a segurança de cidadãos europeus na Venezuela é prioridade.
A Espanha reiterou sua disposição de atuar como mediadora para buscar uma solução pacífica e negociada para a crise, lembrando que não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas de julho de 2024, oficialmente vencidas por Maduro, mas contestadas pela oposição.
Em contraste com as críticas internacionais, o presidente argentino Javier Milei comemorou a notícia da captura de Maduro. Em publicação nas redes sociais, escreveu a frase “A liberdade avança”, sinalizando apoio à operação norte-americana.
As reações divergentes evidenciam o aumento da tensão geopolítica em torno da Venezuela e indicam que a crise deve ganhar novos desdobramentos diplomáticos nos próximos dias, especialmente no âmbito das Nações Unidas.










