Ela abriu as cortinas do quarto naquela manhã ensolarada. Mente e corpo estavam cansados das correrias do cotidiano. Não tinha conseguido dormir o suficiente porque os compromissos insistiam em projetar-se em sua mente, como se estivesse assistindo a um filme de suspense no cinema.
Caminhou até o banheiro e olhou-se no espelho enquanto escovava os dentes. Esboçou um pequeno sorriso no canto da boca ao notar um fio de cabelo branco acima da testa. O trabalho, o casamento, os filhos, os estudos e os diversos compromissos diários pareciam ter roubado alguns anos de sua vida. No entanto, com o peito estufado de gratidão, lembrou-se: “Eu sou feliz!”.
Eu diria que esta mulher retrata muito de mim, se não fosse pelo detalhe do “fio de cabelo branco”. No meu caso, foi logo aos 20 anos que o primeiro fio surgiu, assustando-me e lembrando-me do tempo.
Cuidar de si própria é primordial. É como tirar o pé do acelerador enquanto dirige, abaixar a janela e deixar o vento tocar a pele. É olhar-se no espelho sem medo do reflexo quando a rotina nos lembra que precisamos correr para dar conta de tudo. É permitir-se olhar para o nada, enquanto espera-se por tudo.
Quando a cabeça está a mil, é porque o nosso trânsito mental está congestionado. Talvez tudo o que precisemos seja tomar um desvio ou, simplesmente, estacionar e desligar o motor por alguns minutos. Eu digo: fazer nada!
Quando a exaustão quer ditar as regras, a melhor solução é o simples. Um banho de banheira para relaxar e meditar. Uma música suave para desligar-se do mundo e recarregar a bateria. Que tal parar e dedicar seu tempo apenas para ouvir alguém? Isso, curiosamente, pode silenciar o nosso próprio barulho interno. Quando focamos na história do outro, a nossa “cabeça a mil” ganha uma pausa de si mesma.
Sentei-me à frente do computador tentando buscar inspiração para esta nova crônica. Dez minutos depois e a tela continuava em branco. Levantei-me e servi outro café. O meu trânsito mental estava mais do que congestionado; era uma poluição só, cheia de toxinas: a falta de sono, a falta de tempo, a pressa de querer fazer tudo.
E você? Como se sente quando a sua cabeça está a mil?
O tique-taque do relógio insiste em me lembrar que preciso me mexer. Mas para onde foi minha inspiração? Nem sempre ela surge quando mais precisamos. Às vezes, ela aparece do nada, em momentos peculiares, quando finalmente paramos de procurá-la.

Sabe de uma coisa? “Não vou escrever!”, pensei.
Decidi desligar o motorzinho que girava em minha mente. Peguei meu café e sentei-me à frente da lareira. Escolhi cuidar de mim. Afinal, a autoestima nunca sai de moda e, para estarmos bem para os outros, é imprescindível que estejamos bem para nós mesmos.








