A história de São Sebastião, capitão da guarda pretoriana romana no século III, segue viva e presente na religiosidade de comunidades do Sul de Santa Catarina, especialmente em Balneário Gaivota e Sombrio. Nascido em Narbonne, na antiga Gália, e criado em Milão, Sebastião utilizou sua posição estratégica no Império Romano, durante o governo de Diocleciano, para apoiar secretamente cristãos perseguidos, tornando-se um dos mártires mais venerados da Igreja Católica.
Embora não seja o padroeiro oficial dos municípios — Sombrio tem como padroeiro Santo Antônio de Pádua e Balneário Gaivota venera Nossa Senhora Auxiliadora — São Sebastião possui forte significado religioso para a comunidade da Figueirinha, em Balneário Gaivota. No local, uma igreja dedicada ao santo é referência de fé e devoção, mantendo laços espirituais com fiéis de Sombrio e fortalecendo a identidade religiosa regional.
Martírio e legado de fé
A trajetória de São Sebastião foi marcada pela coragem e resistência espiritual. Após ter sua fé cristã descoberta, foi condenado a morrer alvejado por flechas em um poste público. Sobreviveu graças aos cuidados de Santa Irene, mas, ao retornar para confrontar o imperador Diocleciano, acabou sendo espancado até a morte em 20 de janeiro do ano 288. Para impedir a veneração, seu corpo foi lançado em um esgoto romano, mas acabou sendo recuperado e, desde o século IV, passou a ser associado a milagres e à proteção contra pragas e epidemias.
A imagem do jovem soldado crivado de flechas tornou-se símbolo de fé inabalável e resistência diante da perseguição, atravessando séculos e continentes. Essa devoção chegou ao Sul catarinense por meio da tradição católica luso-brasileira trazida pelos colonos açorianos, consolidando-se nas comunidades locais.
Devoção que une comunidades
Em Balneário Gaivota, a Igreja de São Sebastião, na Figueirinha, promove missas mensais, especialmente no dia 20 de janeiro, data dedicada ao santo. As celebrações atraem fiéis de municípios vizinhos, incluindo Sombrio, reforçando a união religiosa entre as comunidades, mesmo sem feriados padroeirais oficiais.
A proximidade geográfica e a forte ligação com o litoral também contribuem para a devoção, já que São Sebastião é tradicionalmente invocado como protetor de pescadores, famílias e trabalhadores, sendo associado à proteção contra doenças e adversidades do cotidiano.
Assim, distante de sua Roma antiga, São Sebastião permanece presente na fé e na cultura religiosa do Sul catarinense, consolidando-se como um elo espiritual entre Balneário Gaivota e Sombrio e reafirmando a força da tradição católica na região.










