Quando me perguntam onde vivo em Massachusetts, menciono com orgulho que trabalho numa cidade conhecida como o berço da invenção e inovação: Springfield! Alguns logo perguntam: “Na cidade dos Simpsons?”. Não! Os Simpsons foram inspirados no estado de Oregon. No total, os EUA possuem 34 cidades chamadas Springfield.
A Springfield de que falo hoje, em 2026, é onde nasceu o basquetebol. E ali do ladinho, na cidade de Holyoke, nasceu o voleibol.
Era época de Natal, em 1891. O frio intenso do rigoroso inverno daqui impedia que os atletas mantivessem a forma física. James Naismith, um professor de educação física canadense e, na época, estudante de pós-graduação no Springfield College, criou então um jogo que teve como cenário o ginásio da Escola para Trabalhadores Cristãos.
Naismith publicou as regras usando cinco ideias básicas e treze normas. Ele pediu à sua turma que jogasse uma partida na quadra da Armory Street: 9 contra 9, usando uma bola de futebol e duas cestas de pêssego. “Temos uma bola (ball) e uma cesta (basket): por que não chamamos de basquetebol?”, sugeriu ele.

Só por volta de 1897 o jogo passou a contar com equipes de cinco pessoas. Aos poucos, a cesta e a bola foram aprimoradas. Quem visita o Naismith Hall da Fama do Basquetebol pode se encantar com as transformações que aconteceram ao longo do tempo.
Você talvez esteja se perguntando por que estou contando a história do basquete. Simplesmente porque uso este esporte para lembrar tanto meus gerentes quanto meus colaboradores sobre a importância do trabalho em equipe.
Sempre que identifico na minha equipe o tipo “independente” — aquele que quer abraçar o mundo sozinho por achar que pedir ajuda poderia ofuscar sua imagem —, eu imediatamente dedico mais tempo ao seu treinamento.
“Eu não preciso de ajuda”, disse-me Taylor um dia. Em vez de dar uma resposta direta, perguntei qual era o seu esporte preferido. Ele, um pouco assustado, respondeu: “Basquetebol”. — Então me responda: quantos atletas são necessários para um jogo? — perguntei. — Cinco — ele respondeu prontamente. Minha pergunta seguinte foi fatal: — E o que acontece se você jogar sozinho em uma quadra contra cinco jogadores?
Você já deve imaginar a reação de Taylor: “O jogo fica comprometido”. Sorri e acrescentei: “Exatamente assim acontece quando você quer fazer tudo sozinho, sem o auxílio dos seus colegas”.
Isso me leva à palavra interdependência. Stephen Covey, em seu livro Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, explica as diferenças entre dependência, independência e interdependência. Ele nos lembra que, quando bebês, somos dependentes. À medida que crescemos, nos tornamos independentes e passamos a fazer as coisas por nós mesmos. Porém, ao atingirmos a maturidade, compreendemos que a natureza é interdependente.
Mas o que é ser interdependente? É entender que o seu melhor somado ao meu melhor pode resultar em algo ainda maior. Conseguimos atingir metas mais altas e superar desafios complexos quando combinamos nossos talentos e habilidades.
Exatamente como em um jogo de basquete: sozinhos, não garantimos a vitória. Juntos, celebraremos muitas.
Amo quando os clientes descrevem como minha equipe trabalha em harmonia e sintonia. Receber um feedback genuíno assim é gratificante. É o resultado de um trabalho árduo, persistente e baseado na busca constante pela excelência coletiva.
Se você se sente exausto por carregar o peso do mundo nas costas, talvez o problema não seja a carga, mas a sua insistência em não dividir o fardo. O basquete nasceu de uma necessidade de adaptação ao inverno rigoroso; a sua liderança pode florescer na adaptação à humildade. Lembre-se: ninguém entra no Hall da Fama por jogar sozinho. No jogo da vida, a verdadeira excelência não está em ser o melhor jogador, mas em ser o jogador que faz todos ao seu redor jogarem melhor.








