A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma denúncia de suspeita de abuso sexual contra menor registrada no município de São João do Sul, no Extremo Sul do Estado. O caso envolve um homem que atuava como professor da rede municipal de ensino e que, posteriormente, chegou a ocupar a função de diretor de uma escola municipal.
De acordo com o boletim de ocorrência, a principal vítima é um adolescente de 15 anos. No decorrer das apurações iniciais, também surgiram relatos envolvendo o irmão do jovem, de 12 anos. Os fatos teriam ocorrido ao longo de um período prolongado e vieram à tona após a mãe dos menores procurar as autoridades.
Conforme o registro policial, a aproximação entre o educador e o adolescente teve início quando o homem ainda exercia a função de professor. Por ocupar um cargo de confiança dentro da instituição de ensino, a relação não despertou suspeitas iniciais por parte da família. O adolescente passou a acompanhar o educador em atividades ligadas à escola, como eventos e jogos, sendo buscado com frequência em sua residência.
Ainda segundo o boletim, em determinado momento, após o celular do adolescente apresentar problemas, o educador teria oferecido outro aparelho. A proposta foi inicialmente recusada pela mãe, mas o telefone acabou sendo aceito posteriormente como forma de pagamento por serviços prestados pelo jovem, sendo depois trocado por um trabalho de manutenção na residência do investigado.
A denúncia aponta que, durante deslocamentos para a realização desses serviços, teriam ocorrido os primeiros episódios de abuso. Em outra ocasião, já na residência, também teria havido tentativa de contato físico inadequado. Após os fatos, o adolescente passou a evitar qualquer contato com o investigado, recusando novos convites e apresentando mudanças significativas de comportamento, como isolamento, tristeza e sofrimento emocional.
Posteriormente, surgiram relatos envolvendo o irmão mais novo, de 12 anos. Segundo a denúncia, a criança teria sido chamada para conversar na escola após um episódio disciplinar, ocasião em que a abordagem teria assumido teor inadequado, com falas consideradas impróprias.
A situação começou a ser revelada após orientação de uma professora, que incentivou o adolescente mais velho a relatar os fatos à mãe. Diante das informações, foi registrado boletim de ocorrência e, no dia seguinte, o servidor foi afastado da função de direção.
Em nota oficial, a Prefeitura de São João do Sul confirmou o afastamento do servidor, informou que acompanham o caso e destacou que está colaborando com as autoridades competentes, adotando as medidas administrativas cabíveis.
Atualmente, o investigado permanece afastado das funções e aguarda uma decisão administrativa prevista para os próximos dias, que deverá definir os encaminhamentos internos. A família informou que, até o momento, nem a mãe nem o adolescente foram formalmente ouvidos no andamento da investigação.
A mãe dos menores também manifestou preocupação com a possibilidade de realocação do investigado para outras funções ligadas à área da educação. Segundo relato, essa informação teria sido mencionada por profissionais da rede pública, entre eles uma professora e uma assistente social do município, além de ter sido comentada à própria família. Em nota, o município negou a informação.
O caso segue sob apuração das autoridades competentes.










