Dois casos de violência extrema contra animais estão sendo investigados pela Polícia Civil no Extremo Sul de Santa Catarina após cães serem encontrados mortos em um intervalo inferior a 24 horas, na localidade de Soares, área rural situada na divisa entre os municípios de Araranguá e Ermo.
O primeiro registro ocorreu no fim da tarde de segunda-feira (26), quando um homem que estava pescando em um local conhecido como Valo das Dragas encontrou um cachorro morto ao tentar acessar uma área mais interna do valo, pelo lado direito da estrada de chão. Segundo o relato, o animal apresentava um ferimento profundo na região da cabeça, o que levantou a suspeita de que a morte possa ter sido causada por disparo de arma de fogo. Ainda conforme informado, um parente do morador teria ouvido um barulho semelhante a um tiro por volta do meio-dia do mesmo dia.
Já na terça-feira (27), outro cachorro foi encontrado morto na mesma estrada rural, desta vez em trecho pertencente ao município de Araranguá, a aproximadamente um a um quilômetro e meio de distância do primeiro local. O segundo animal apresentava sinais de extrema violência, com um ferimento entre a pata dianteira e as costas, possivelmente causado por objeto cortante, além de estar com parte das patas traseiras envoltas em um saco plástico preto.
Apesar da proximidade geográfica, da semelhança dos registros e do curto intervalo entre os casos, não há confirmação oficial de que as ocorrências tenham relação direta ou que tenham sido cometidas pela mesma pessoa. Ainda assim, a sequência dos fatos gerou preocupação e indignação entre moradores da região, que cobram esclarecimentos e providências das autoridades.
O delegado responsável pelo caso, Luís Otávio Pohlmann, informou que a Polícia Civil tomou conhecimento do primeiro episódio na noite de segunda-feira, envolvendo um cão encontrado com possíveis sinais de violência em área rural do município de Ermo. Já o segundo caso chegou ao conhecimento da polícia no início da tarde de terça-feira, referente a um cachorro encontrado em localidade pertencente a Araranguá.
Segundo o delegado, equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica estiveram nos locais realizando levantamentos e coletando informações. “O trabalho de investigação, num primeiro momento, visa confirmar a existência ou não de maus-tratos. Os cães já se encontravam em estado avançado de decomposição, o que dificulta a análise pericial”, explicou.
Pohlmann acrescentou que, além da hipótese de maus-tratos, também está sendo considerada a possibilidade de envenenamento involuntário, comum em áreas rurais, já que os animais estavam em locais abertos e parte dos corpos apresentava sinais de ação de outros animais. As investigações seguem de forma independente: o caso registrado em Ermo está sob responsabilidade da delegacia do município, enquanto a Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Araranguá apura o segundo registro.
Maus-tratos e morte de animais configuram crime conforme a legislação brasileira, com penas que podem incluir reclusão e multa. Informações que possam auxiliar nas investigações podem ser repassadas de forma anônima às autoridades policiais.










