O chocolate, símbolo da Páscoa e presença constante no dia a dia dos brasileiros, vive um momento de incerteza no mercado global. Problemas climáticos e pragas têm afetado fortemente as lavouras de cacau na África Ocidental, especialmente em Costa do Marfim e Gana, responsáveis por cerca de 70% da produção mundial.
Nos últimos dois anos, secas severas e doenças elevaram o preço da tonelada do cacau a patamares históricos, ultrapassando US$ 10 mil. Embora haja projeção de recuperação parcial na safra 2025/2026, o mercado ainda sente os reflexos da instabilidade.
Brasil tenta ampliar produção
No cenário das Américas, o Brasil ocupa posição estratégica. A produção nacional gira entre 200 e 250 mil toneladas anuais, com destaque para os estados da Bahia e do Pará.
Apesar do potencial, a produtividade média brasileira (cerca de 350 kg por hectare) ainda é considerada baixa. Eventos climáticos extremos, irregularidade de chuvas e desafios estruturais têm limitado o avanço do setor.
O Plano Inova Cacau 2030 prevê dobrar a produção para 400 mil toneladas até o fim da década, com expansão de áreas cultivadas e melhorias genéticas nas lavouras. A meta é transformar o país em exportador relevante e reduzir a dependência de importações — atualmente em torno de 45 mil toneladas para suprir a moagem interna.
Impacto direto na Páscoa
O consumidor já percebe o efeito da crise. Em 2025, os ovos de Páscoa ficaram quase 19% mais caros — a maior alta em 13 anos. Em 2026, embora o preço do cacau tenha recuado em relação ao pico histórico, os valores continuam elevados.
A indústria aposta em ovos menores, novos formatos e produtos com “sabor chocolate” para equilibrar custos. Ainda assim, pesquisas indicam que 46% dos brasileiros pretendem gastar mais de R$ 100 na Páscoa, mostrando que a tradição resiste mesmo diante da inflação.
Chocolate vai acabar?
Especialistas descartam um “fim do chocolate”, mas alertam para mudanças profundas até 2050. Estudos internacionais apontam que, com o aumento médio de 2°C na temperatura global, áreas atualmente ideais para o cultivo do cacau podem se tornar inviáveis.
A saída está na tecnologia: pesquisas em engenharia genética, variedades mais resistentes e expansão do cultivo em novas regiões podem garantir a continuidade da produção.
O cenário, portanto, não é de extinção iminente — mas de transformação. O chocolate deve continuar presente na mesa dos brasileiros, embora possivelmente mais caro e produzido de forma diferente nas próximas décadas.










