A homenagem ao presidente Lula da Silva no desfile de Carnaval da escola de samba Acadêmicos de Niterói se revelou um erro estratégico e um profundo desrespeito a valores fundamentais da sociedade brasileira. Ao personificar a figura presidencial em um cenário de festa popular, a escola de samba não apenas flertou com o culto à personalidade, mas também serviu como estopim para o reforço de uma polarização desnecessária, cujos danos à imagem do governo e à coesão social já se mostram evidentes nas redes sociais e nos levantamentos de opinião.
O ponto mais crítico da apresentação residiu na ala “neoconservadores em conserva”, que ridicularizou de forma caricata famílias evangélicas e o setor do agronegócio. Tal escolha artística ultrapassou o limite da liberdade de expressão ao promover o escárnio aberto contra a fé cristã e os valores conservadores que sustentam milhões de lares no país. É inadmissível que um evento de tamanha magnitude cultural seja utilizado para estigmatizar grupos sociais específicos, tratando convicções religiosas e modelos familiares como objetos de deboche.
Além do aspecto ético, há um agravante moral e financeiro: o uso de verbas públicas da Embratur para financiar uma agremiação que promove a ridicularização de parte significativa da população que paga seus impostos. Essa conduta não apenas fere o princípio da impessoalidade, mas também justifica a indignação das Frentes Parlamentares Evangélica e Católica, que agora buscam reparação judicial e criminal. O desfile, longe de ser uma celebração da diversidade, se comportou como uma ferramenta de segregação.
Por fim, a homenagem ignorou o esforço de diálogo que o próprio governo tenta construir com o segmento religioso. Ao permitir ou incentivar que sua imagem seja ligada a ataques diretos aos costumes da direita e dos cristãos, o presidente Lula acabou por validar os receios de quem teme o autoritarismo ideológico. Em uma democracia saudável, a cultura deve unir, e não ser instrumentalizada para diminuir a identidade histórica e social de um povo em favor de um projeto político.
Finais
- E o presidente do Progressistas de Santa Catarina, Leodegar da Cunha Tiscoski, assinou nota em nome do partido criticando a homenagem que a escola de samba Acadêmicos de Niterói fez ao presidente Lula da Silva (PT), em seu desfile de Carnaval. De acordo com Leodegar, a homenagem foi uma afronta aos valores culturais da sociedade brasileira, na medida em que se utilizou de uma festa popular, com amplitude nacional, com fins nitidamente políticos. A nota critica o que chama de instrumentalização da cultura, com objetivos eleitorais. A manifestação de Leodegar demostra que o partido, pelo menos em Santa Catarina, não deve mover uma palha para que a federação União Progressista esteja aliada ao PT no pleito nacional deste ano, como muitos de seus caciques nacionais almejam.
- MDB catarinense vai consultar seus filiados para saber qual rumo o partido deve tomar diante da eleição estadual e nacional deste ano. Em nível estadual o comando emedebista quer saber se os filiados preferem que o partido tenha candidato próprio ao governo, ou se desejam ver a legenda compondo como vice de João Rodrigues (PSD) ou de Gelson Merísio (SD). A possibilidade de apoiar o governador Jorginho Mello (PL) sem fazer parte de sua majoritária também será prospectada. A tese de que o MDB deva ter apenas candidato ao Senado, liberando seus filiados para votar em qual candidato ao governo desejarem, em princípio, foi descartada. O MDB estadual também quer saber se o partido deve estar aliado ao presidente Lula da Silva ou fazendo oposição a ele no pleito eleitoral deste ano.










