Simplificar a vida para viver de forma mais coerente e mais direta talvez seja difícil para quem tem o hábito de falar meia palavra na expectativa que o outro entenda a frase inteira. Neste caso, simplificar talvez não seja a melhor solução e o que precisamos é simplesmente “colocar os pingos nos is”.
Ao deixar frases incompletas, intenções subentendidas e esperar que o outro adivinhe o que pensamos, estaremos gerando uma série de complicações na nossa rotina e em nossos relacionamentos. Para melhor clareza é imprescindível que sejamos mais específicos e transparentes.
Quem me conhece sabe que amo escrever, correto? Mas como seria se vivêssemos hoje ainda no século XVI, na Europa, como a maioria dos nossos ascendentes? Naquela época, devido ao estilo de caligrafia usado, as letras eram muito próximas e desenhadas com traços verticais semelhantes. Quando duas letras “i” apareciam juntas (muito comum no latim), os traços podiam ser facilmente confundidos com a letra “u” ou com parte de um “m” ou “n”, gerando erros de leitura.

Foi aí que surgiu a expressão “pôr os pingos nos is”, adotada por nós brasileiros e que “significa organizar o que está confuso, discernir entre uma coisa e outra, definir o lugar de cada coisa”, segundo Aldo Bizzocchi, professor da Universidade de SP em seu blog “Diário de um Linguista”.
Para evitar confusões, os copistas e escribas começaram a colocar um pequeno traço ou ponto sobre o “i” para diferenciá-lo das demais letras. Quem não fazia isso deixava o texto ambíguo. Portanto, “colocar os pingos nos is” era o toque final necessário para que a mensagem fosse compreendida sem erros.
Em inglês, no entanto, a expressão que mais se aproxima é “to dot the i’s and cross the t’s” (colocar os pontos nos “is” e os traços nos “tês”). Embora frequentemente usada para significar a finalização de detalhes com perfeição, é também usada para garantir que não haja mal-entendidos.
Comunicação é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores focos tanto na liderança quanto em qualquer tipo de relacionamento. Buscar soluções para melhorar e aprimorar a comunicação tanto no ambiente de trabalho quanto em casa e na sociedade requer muita atenção e cuidados. Se quando nos expressamos face a face num mesmo idioma a mensagem pode ainda ser mal interpretada, imagine quando escrita? Quem lê a mensagem colocará o tom de voz mediante ao sentimento do momento, o que pode causar um grande conflito.
Pense e analise: quando foi a última vez que alguém lhe enviou uma mensagem sobre um assunto delicado? O que você sentiu ao ler? Agora, tente lembrar-se da última vez que você enviou uma mensagem delicada, sobre um aparente conflito, a alguém de sua família, a um amigo próximo ou no trabalho?
A comunicação interpessoal é o processo de troca de informações, ideias e sentimentos entre duas ou mais pessoas. Embora pareça algo natural, ela é uma das habilidades mais complexas do ser humano, pois não envolve apenas o que é dito, mas como é dito e como é recebido.
Dada a sensibilidade e a importância desse tema para nossas relações, faremos uma pausa para refletir. No próximo encontro, continuaremos a pontuar como essa clareza transforma nossa jornada. Enquanto isso, eu lhe pergunto: em qual área da sua vida — ou em qual conversa pendente — você sente que chegou o momento de, finalmente, colocar os pingos nos is?










