Por compartilharem a mesma base ideológica, o Progressistas e o PL acabam sendo adversários mais do que diretos em todas as eleições, sejam elas municipais, estaduais ou nacional. Nos últimos anos o que temos visto é um crescimento fenomenal do PL, por conta do movimento bolsonarista, e, neste sentido, o que se vê na via inversa é um decréscimo significativo do Progressistas. Na prática, o que as urnas têm mostrado é que quanto mais o PL cresce, mais o Progressistas diminui.
Uma das explicações para isto é o fato do PL estar mais sintonizado com aquilo que é considerado a realidade atual brasileira. Sendo assim, especialmente os mais jovens, que estão sintonizados com o pensamento de direita, se sentem mais representados pelos políticos do PL do que pelos do Progressistas, cujos políticos ainda permanecem muito ligados ao conservadorismo, ao invés do liberalismo, defendido pelo movimento bolsonarista.
Aqui no Sul de Santa Catarina, influenciados pelos deputados estaduais José Milton Scheffer, de Sombrio, e Pepê Colaço, de Tubarão, a base do Progressistas, representada especialmente por prefeitos, vices, vereadores e lideranças do partido, tem convergido francamente em favor da candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello, assim como a favor do projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro, ambos do PL. Ao enaltecer as candidaturas majoritárias dos candidatos do Partido Liberal, fatalmente Zé
Milton e Pepê Colaço acabam enaltecendo também as candidaturas proporcionais da legenda, obstruindo cada vez mais o espaço do próprio Progressistas, que é o partido de filiação de ambos.
Em Tubarão, por exemplo, Pepê Colaço está fazendo campanha para o PL, do prefeito Estêner Soratto da Silva Júnior, que derrotou o Progressistas na eleição municipal de 2024. Na prática, quanto mais Pepê Colaço pede votos, especialmente para Jorginho Mello, mais ele ajuda a enterrar seu próprio partido.
A situação não é diferente em Sombrio, já que Zé Milton também declarou apoio a Jorginho Mello, ao invés de seguir orientação da presidência estadual de seu partido, de apoio a candidatura de João Rodrigues (PSD). No município, o PL dá apoio integral ao MDB, partido que derrotou o Progressistas nas últimas quatro eleições municipais, e que pelo andar da carruagem irá derrotá-lo mais uma vez em 2028, justamente por conta de um projeto bem definido da legenda.
Especialmente no que diz respeito a Sombrio, a situação é ainda mais delicada para o Progressistas, já que o PSD, em tese, é aliado do partido, ou, pelo menos foi, na eleição de 2024. O que veremos neste ano, então, é o PSD trabalhado pela candidatura de João Rodrigues ao Governo do Estado, pedindo voto para Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB), ao Senado, e Zé Milton trabalhando para Jorginho Mello, do PL, ao lado da prefeita Gislaine Cunha (MDB).
Tudo isto, obviamente, desestimula a base do Progressistas, e deixa seus líderes locais sem discurso plausível. Pior que isto é que, se Jorginho Mello for reeleito, o Progressistas de Sombrio perde, e se João Rodrigues for eleito, o partido perde mais ainda.
Finais
- Presidenciável Romeu Zema, do Partido Novo, deu a entender que não pretende parar de atacar o também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), por conta do envolvimento deste com o banqueiro Daniel Vorcaro. Depois que o diretório estadual do Novo de Santa Catarina suspendeu o convite que havia feito a Zema, para que ele participasse de um encontro do partido no início de julho, em Joinville, por conta de tais ataques, o ex-governador mineiro usou suas redes sociais para alfinetar. Zema deu a entender que tem outras portas para bater em Santa Catarina, e que estas não precisam ser, necessariamente, as do Partido Novo. Vale ressatar que a manutenção da críticas de Romeu Zema contra Flávio Bolsonaro colocam em sério risco a manutenção do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice de Jorginho Mello nas eleições deste ano.
- Deputado estadual Antidio Lunelli sabe que jogou um mandato fora, ao aceitar ser candidato ao Senado Federal pelo MDB, em uma eleição que já está carimbada para ser vencida por Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, ou, no mínimo por Esperidião Amin (PP), e, mas dificilmente por Décio Lima (PT). Sua reeleição à Assembleia Legislativa, no entanto, tem pouco significado diante da possibilidade de Antídio se tornar a nova liderança estadual do MDB, em substituição a figuras históricas do partido, como Luiz Henrique da Silveira, Pedro Ivo Campos e Jaison Barreto. Desde o falecimento de Luiz Henrique, em 2015, o MDB catarinense perdeu o seu rumo, e, desde então, só tem definhado. Eduardo Moreira e Mauro Mariani não deram conta do recado, e tampouco Carlos Chiodini. Empresário extremamente bem sucessido, Antidio tem tudo para sair por cima no pleito deste ano, apesar de sua iminente derrota.












