Servidora da Coordenadoria Regional de Educação de Araranguá é investigada pela Secretaria de Estado da Educação por suspeita de utilizar diploma de doutorado supostamente falso para obter ascensão funcional. Documentos apontam que a UNIP informou não oferecer Doutorado em Educação e que dois históricos apresentam a mesma tese de doutorado.
Uma professora de Sombrio está entre as servidoras investigadas pela Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED) por suspeita de utilização de diploma de Doutorado em Educação supostamente falso para obtenção de ascensão funcional e aumento salarial.
O caso é apurado por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) instaurados pela Secretaria após a identificação de indícios de irregularidades na documentação apresentada por servidoras lotadas na Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Araranguá. As portarias que instituem as comissões responsáveis pelas investigações foram publicadas no Diário Oficial do Estado.
De acordo com documentos internos da própria SED, as servidoras obtiveram progressão funcional para o nível de doutorado, o que resultaria em um reajuste salarial de aproximadamente R$ 3,5 mil mensais para cada uma, após a homologação das ascensões funcionais.
Durante a apuração, a Gerência de Desenvolvimento Profissional da Secretaria verificou que os diplomas apresentados traziam a chancela da Universidade Paulista (UNIP). Após novo contato com a instituição, a universidade respondeu oficialmente que não oferece cursos de Mestrado nem de Doutorado em Educação, concluindo que documentos dessa natureza não são autênticos.
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a semelhança entre parte da documentação apresentada. Dois dos históricos escolares possuem exatamente a mesma tese de doutorado, intitulada “Contribuições das Políticas Educacionais para a Inclusão Social no Brasil”, apesar de estarem em nome de pessoas diferentes.
Os documentos também apontam que uma denúncia encaminhada por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mencionava três servidoras da Coordenadoria Regional de Educação de Araranguá e indicava a necessidade de apuração sobre a autenticidade dos diplomas utilizados para progressão funcional.
Em um dos casos, uma servidora chegou a solicitar a retirada da ascensão funcional obtida com o título de doutorado. No entanto, a Secretaria entendeu que o ato administrativo já havia sido consumado e manteve o registro até a conclusão das investigações.
Ao final da análise técnica, a Diretoria de Gestão de Pessoas concluiu haver elementos suficientes para encaminhar o caso à Corregedoria da SED, apontando possível utilização de diploma considerado ilegítimo para obtenção de vantagem funcional.
A professora de Sombrio citada na investigação não terá a identidade divulgada pela reportagem enquanto o processo administrativo estiver em andamento e não houver decisão definitiva sobre o caso.










