A política catarinense inaugurou uma dinâmica inédita na corrida eleitoral deste ano, marcada pela antecipação na definição das chapas majoritárias. Impulsionado pelo encurtamento do período de campanha, e pelo ritmo acelerado das redes sociais, o tradicional suspense de última hora, que costumava esticar as articulações até o limite do prazo legal, acabou dando lugar a convenções concentradas nos primeiros dez dias do prazo legal para que elas possam ser realizadas.
A primeira candidatura ao Governo do Estado oficializada foi a de Laís Chaud, do Unidade Popular, um partido de extrema esquerda. A conveção aconteceu na segunda-feira, na UFSC. Laís terá como candidata a vice-governadora Nathália Melo. Já como candidatas ao Senado, concorrerão Ana Lúcia da Silveira e Marlenne Soccas, todas filiadas ao UP.
Dentre os candidatos com maior potencial, a aliança de partidos alinhados à reeleição do presidente Lula da Silva (PT) abriu o calendário de convenções ontem à noite, em evento realizado na Assembleia Legislativa, oficializando Gelson Merisio (PSB) como candidato ao governo, Ângela Albino (PDT) como candidata a vice, e Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) como candidatos ao Senado.
No próximo dia 1º de agosto os outros dois principais blocos políticos do Estado formalizarão suas candidaturas. O governador Jorginho Mello (PL) realizará a convenção de seu grupo na Arena Opus, em São José, na Grande Florianólis, tendo Adriano Silva (Novo) como seu candidato a vice e Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) na disputa pelo Senado. Paralelamente, no mesmo dia, na Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmará sua chapa ao lado de Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice, com Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB) concorrendo ao Senado.
Apesar da antecipação, os bastidores de MDB e PP ainda exigem manobras de acomodação interna para conter dissidências e garantir o engajamento das bases. No MDB o esforço é para trazer para junto de João Rodrigues figuras como o deputado federal Valdir Cobalchini e os estaduais Fernando Krelling e Jerry Comper, que estão irmanados ao projeto de Jorginho Mello. Já no Progressistas a situação é mais complicada. O partido faz parte de uma federação, com o União Brasil. O União Brasil está totalmente fechado com João Rodrigues, mas o Progressistas permanece dividido. Enquanto Esperidião Amin e o deputado estadual Altair Silva se esforçam para que a legenda esteja aliada a João Rodrigues, os deputados estaduais José Milton Scheffer e Pepê Colaço trabalham no sentido contrário, solicitando votos dos convencionais para que o Progressistas se alie a Jorginho Mello.
É muito provável que a federação acabe oficializando apoio a João Rodrigues, já que o União Brasil está trabalhando integralmente para isto, assim como também boa parte do Progressistas. A tendência é que o grupo de Zé Milton e de Pepê Colaço acabe ficando isolado, o que pode colocar em risco seus respectivos projetos eleitorais neste ano, já que passarão a ser considerados traidores do projeto original do partido ao qual estão filiados.
Finais
A Prefeitura de Sombrio, foi condenada a pagar cerca de R$ 3 milhões a Casan, por investimentos feitos durante contrato de prestação de serviços de água e esgoto, entre os anos de 1976 e 2006. A decisão é da 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O contrato de concessão previa que parte das obras seria custeada com as tarifas pagas pelos usuários, enquanto a prefeitura se comprometeria a arcar com 25% dos custos da implantação. Ao término da concessão, em 2006, a Casan acionou a Justiça para receber os valores que não teriam sido quitados. Na ação, o município alegou que todos os investimentos foram amortizados ao longo da execução do contrato e que não havia obrigação de ressarcimento após seu encerramento. Também defendeu que caberia à Casan comprovar a existência de saldo devedor.
Os argumentos foram rejeitados pelo relator do processo. Segundo o desembargador, tanto a legislação sobre concessões quanto o contrato firmado entre as partes preveem o dever de indenizar mesmo após o fim do vínculo, quando comprovado que os valores não foram pagos. A decisão se baseou em laudo pericial que apontou a existência de um saldo de quase R$ 3 milhões relativo a investimentos não amortizados. A prefeitura foi intimada a se manifestar, mas não apresentou impugnação às conclusões da perícia, realizada há quase 20 anos. O julgamento também levou em consideração que o município não quitou sua cota de 25% e continuou a utilizar a estrutura física da Casan mesmo após o fim da concessão, no ano de 2006. A decisão reformou a sentença anterior, que havia julgado improcedente o pedido da concessionária.









