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Evento Circuito Rede Viva de Economia Solidária movimenta cerca de R$ 100 mil em Praia Grande

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Cultura alimentar, produção artesanal e participação do público deram movimento ao Circuito Rede Viva – Economia Criativa e Solidária de Base Comunitária, realizado no último final de semana na Praça São Sebastião, em Praia Grande. Segundo levantamento da organização, o evento movimentou cerca de R$ 100 mil, considerando a arrecadação dos expositores e os recursos do projeto destinados a cachês artísticos, contratação de serviços, hospedagem, passeios turísticos e alimentação de expositores.

Uma feira para ver, experimentar e fazer junto
A Feira Viva esteve no centro dessa experiência. Além das oficinas, os próprios expositores mantiveram seus fazeres acontecendo nas bancas, permitindo que o visitante conhecesse não apenas o produto pronto, mas também o trabalho, a matéria-prima e o conhecimento que existem antes dele. Era possível fazer o próprio incenso, gravar na hora um nome ou desenho em uma peça de madeira, ter uma caricatura feita em poucos minutos para levar como recordação ou preparar o próprio algodão-doce.

Na oficina do café orgânico, Sílvio Daufenbach apresentou o percurso do grão desde a forma in natura até a xícara. Torra, moagem e preparo aconteceram diante do público. Na oficina de roscas de polvilho, com Maria Bernadete Perius, o processo também foi compartilhado, aproximando os visitantes de uma receita ligada à memória alimentar do território.

Mas a troca não ficou restrita à relação entre quem expunha e quem visitava. Ao longo dos dois dias, os próprios participantes da feira foram se aproximando, trocando contatos e encontrando possibilidades de parceria entre matérias-primas, produtos e novos projetos.

“Na Feira Viva, o produto é uma parte da história, mas não é a história inteira. A gente queria que as pessoas pudessem chegar perto, perguntar, experimentar e descobrir como aquilo é feito. E, quando as próprias bancas estão produzindo, o visitante participa de verdade. Ao mesmo tempo, os expositores se encontram, trocam contatos, descobrem que uma matéria-prima pode servir para o trabalho do outro, que um produto pode complementar o do vizinho. Essa rede vai se formando ali, na praça, de maneira muito concreta”, afirma Cíntia Juliana Bif, do Coletivo Multicultural dos Cânions, que organiza o evento.

Integracão entre atrações
A atmosfera de união e troca refletiu com a integração entre artistas que, chegaram com uma proposta individual e que no evento se tornou coletiva.

Foi o que aconteceu entre o Trio Quilombola e a trupe de artistas do KidStock. Os personagens do grupo – que mistura circo, teatro e música – participaram do show do Trio, enquanto os músicos quilombolas se integraram ao cortejo festivo do KidStock.

No projeto Raízes do Brasil, de Daniela Dalmina, as brincadeiras de matriz africana se encontraram com a música: Daniela convidou integrantes da Roda de Tambores para acompanhar a atividade. Ainda, na mesma atividade, Luiza Pezzi, do projeto Compostando para Florescer, também levou brincadeiras com sensibilização ambiental com a participação de Daniela, unindo sustentabilidade e ancestralidade de forma lúdica.

Sabores, encontros e uma economia que permanece no território
A cultura alimentar foi outro fio que atravessou o Circuito. Na Praça de Alimentação da Agricultura Familiar, a comida chegava à mesa depois de passar pelas mãos de quem a preparava ali mesmo. Houve alimentos feitos no fogo, assados e fritos na hora, além de caldo de cana extraído no momento e sucos orgânicos de frutas cultivadas na região.

Risotos, massas, pastéis, entrevero, roscas de polvilho, queijos, pães, cucas, geleias, cafés, e outras preparações foram produzidos exclusivamente a partir da agricultura familiar, aproximando o público dos ingredientes e dos modos de fazer do território.

“A Feira Viva acabou se tornando a grande assinatura do Circuito. É isso que diferencia a proposta: o produto continua tendo valor econômico, mas junto dele circulam conhecimento, cultura, relações e possibilidades de trabalho. E é também por isso que aqueles R$ 100 mil representam mais do que uma soma de vendas: mostram que um evento construído a partir da produção local consegue fazer o recurso circular e alcançar diferentes pessoas e serviços do território”, afirma Patricia Lemos, do Coletivo Multicultural dos Cânions.

A Secretária do Conselho Estadual do Artesanato e da Economia Solidária da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços de SC, Fabiana Ribeiro, esteve presente para avaliação e emissão da Carteira Nacional do Artesão, além de prestar consultoria para os empreendimentos de Economia Solidária. “Foi fantástico, com trocas riquíssimas entre os expositores. Uma organização exemplar, com os princípios da economia solidária na prática, e um artesanato do Extremo Sul catarinense de altíssima qualidade”, enaltece.

“Essa Rede Viva não é feita só de pessoas criativas. É feita de pessoas que gostam de estar juntas, de confraternizar, de trocar, de acolher. E isso cria um ambiente mágico, que torna esse movimento tão especial. São muitos abraços, muitas conversas e, quando a gente percebe, saiu daqui com novos amigos. Os clientes também sentem isso, é unânime a fala sobre o acolhimento. A economia solidária proporciona ganhos mais justos e compartilhados, mas o que fica, acima de tudo, é esse ambiente inigualável, esse sentimento bom de pertencer”, conclui a expositora Roberta Saldanha.

O Circuito Rede Viva é uma iniciativa do Coletivo Multicultural dos Cânions, contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Ciclo 2/2026 – Edital Mais Cultura em Praia Grande. A realização contou com apoio das secretarias de Cultura e Educação de Praia Grande, Samae – Água dos Canyons, Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, Ceprag e Dunet.

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