A eleição presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva com um cenário cada vez mais claro: o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno do pleito deste ano. A pesquisa Datafolha mais recente coloca Lula com 39% das intenções de voto e Flávio com 35%, na primeira etapa da eleição. Em votos válidos, são 43% contra 38%, respectivamente, números que tornam bastante improvável uma definição da eleição já no primeiro turno.
A principal questão desta reta final talvez não seja mais quem ocupa as duas primeiras posições, mas qual deles chegará ao segundo turno em melhores condições. Flávio Bolsonaro avançou de 33% para 35% entre as duas últimas pesquisas, enquanto Lula passou de 38% para 39%. Ao mesmo tempo, Augusto Cury (Avante) recuou de 8% para 6%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 2%. Se essa tendência continuar, a disputa poderá sofrer uma concentração ainda maior em torno dos dois líderes.
Há, entretanto, espaço para movimentações importantes. Embora Lula e Flávio possuam eleitorados bastante consolidados, a situação é muito diferente entre os demais candidatos. Metade dos eleitores de Augusto Cury ainda admite mudar de voto, mesmo percentual entre os eleitores de Caiado, 65% entre os de Renan Santos e 80% entre os de Zema. Portanto, existe uma parcela relevante de votos que poderá migrar justamente para os dois candidatos que lideram a disputa. Como todos são candidatos de direita, Flávio Bolsonaro é quem deverá cooptar mais deste chamado voto útil.
Para Lula, o desafio será preservar a liderança e, principalmente, ampliar sua votação para além de seu eleitorado mais fiel. O presidente chega à campanha carregando simultaneamente a força de ocupar o Palácio do Planalto e o desgaste natural de quem governa.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, precisa transformar a força do eleitorado bolsonarista em maioria nacional. Seu crescimento recente mostra que existe espaço para uma concentração do voto de oposição em torno de seu nome. O problema é que ele enfrenta praticamente a mesma barreira de Lula: a rejeição. Os dois aparecem com 46% dos entrevistados afirmando que não votariam neles de maneira alguma. Essa igualdade na rejeição ajuda a explicar por que uma eventual disputa entre ambos tende a ser extremamente apertada.
E é justamente o segundo turno que apresenta o cenário mais imprevisível. Na simulação direta, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%, diferença de apenas dois pontos percentuais e, portanto, dentro da margem de erro da pesquisa. Mais significativo ainda é que esses percentuais permaneceram exatamente iguais aos do levantamento anterior. Isso sugere uma eleição altamente polarizada, na qual nenhum dos dois conseguiu, até agora, construir vantagem decisiva sobre o adversário.
Assim, três movimentos deverão ser observados nas próximas semanas: a capacidade de Lula de conservar a primeira posição; a possibilidade de Flávio Bolsonaro continuar reduzindo a diferença; e o destino dos votos hoje distribuídos entre Cury, Caiado, Renan Santos, Zema e os demais candidatos. Como Lula e Flávio possuem bases muito mais consolidadas, os debates, a propaganda eleitoral e os acontecimentos da reta final deverão ter impacto principalmente sobre esse eleitorado menos definido.
Finais
Se os números atuais permanecerem próximos aos registrados pelo Datafolha, o cenário mais provável é de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, sem favorito absoluto para a decisão. Lula chega com pequena vantagem numérica, enquanto Flávio apresenta trajetória recente de aproximação. Com ambos registrando rejeição de 46% e separados por apenas dois pontos na simulação direta, a eleição poderá acabar sendo decidida menos pela capacidade de mobilizar as bases, que já estão fortemente mobilizadas, e mais pela conquista dos eleitores que hoje preferem uma terceira alternativa.
Nesse contexto, o primeiro turno poderá funcionar quase como uma grande eliminatória. A verdadeira batalha começaria no dia seguinte, quando os votos dos candidatos derrotados passariam a ser disputados por dois campos políticos praticamente do mesmo tamanho. A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 8 e 10 de setembro de 2026, ouvindo 2.002 eleitores com 16 anos ou mais. O levantamento, contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01833/2026.









