A eleição para o Senado em Santa Catarina entra em sua semana decisiva com três nomes disputando, voto a voto, as duas cadeiras que estarão em jogo em 2026. Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do Partido Liberal, e Esperidião Amin, do Progressistas, formam o grupo que, até aqui, aparece de maneira mais consistente entre as preferências do eleitorado catarinense. As pesquisas recentes mostram os três dentro da margem de erro, configurando um cenário de empate técnico e de absoluta indefinição matemática.
Mas a fotografia das pesquisas não conta, sozinha, toda a história da eleição. Na reta final, entram em cena as estruturas partidárias, os vínculos políticos e a identificação ideológica do eleitor. E é justamente nesse terreno que Carol De Toni e Carlos Bolsonaro encontram um fator de força: os dois estão inseridos diretamente no campo bolsonarista e fazem parte da estrutura eleitoral do PL, partido que reúne candidaturas competitivas para diferentes cargos em Santa Catarina.
A equação é simples e politicamente poderosa. O PL tem Jorginho Mello na disputa pelo governo estadual, Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e Carol De Toni e Carlos Bolsonaro na disputa pelas duas vagas ao Senado. O eleitor que se identifica com esse campo político encontra, portanto, uma oferta eleitoral completa dentro da mesma legenda. A tendência natural de uma campanha organizada dessa maneira é buscar a concentração dos votos em seus candidatos.
Em Santa Catarina, onde o bolsonarismo construiu uma base eleitoral expressiva, essa identificação pode ganhar ainda mais peso nos últimos dias. A candidatura de Carlos Bolsonaro acrescenta outro elemento à equação: ele é irmão de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A ligação familiar, somada ao alinhamento político e partidário, cria uma associação direta entre as duas campanhas.
É por isso que a reta final pode colocar Carol De Toni e Carlos Bolsonaro em uma posição politicamente privilegiada. Não porque as pesquisas já tenham definido os eleitos — elas não definiram —, mas porque os dois carregam consigo uma identidade política bastante clara e estão integrados a uma estrutura partidária que disputa simultaneamente os principais cargos majoritários do Estado.
Para Esperidião Amin, o cenário é diferente. O candidato do Progressistas precisa disputar espaço em uma eleição na qual seus dois principais adversários pertencem à mesma legenda e podem se beneficiar de uma onda de voto partidário e ideológico. E é justamente aí que entra o papel decisivo das bases do Progressistas.
A permanência de Amin entre os dois candidatos mais votados dependerá, em grande medida, da capacidade de seu partido transformar sua estrutura política em mobilização eleitoral. Prefeitos, vereadores, deputados, lideranças municipais, dirigentes partidários e militantes terão de trabalhar para lembrar ao eleitor que, para o Senado, existem dois votos e que a escolha de um candidato não elimina a possibilidade de escolher Amin como segunda opção.
A campanha progressista precisará, portanto, fazer com que Amin não apenas seja lembrado, mas seja incluído efetivamente entre os dois votos do eleitor. Em uma eleição tão apertada, essa diferença pode ser decisiva. Todavia, ironicamente, a grande maioria dos líderes do Progressistas têm trabalhado pelas candidaturas de Jorginho Mello e Flávio Bolsonaro, o que ajuda o eleitor comum a se afastar cada vez mais do projeto de Esperidião Amin.
Finais
Deputado federal Daniel Freitas (PL) não está querendo dar sorte para o azar. Diante das múltiplas candidaturas de seu partido à Câmara Federal no Sul do Estado, e de tantas outras por partidos de direita, o parlamentar tem buscado ampliar suas bases eleitorais deste o início da campanha deste ano. Na semana passada ele reuniu cerca de 700 pessoas em Joinville, que manifestaram apoio ao seu projeto de reeleição. O mesmo trabalho vem sendo feito na região de Florianópolis, de onde o deputado vem despachando ao longo deste mandato, justamente para ampliar sua capilaridade eleitoral. Só o PL tem três candidatos a federais no Sul do Estado, todos disputando a reeleição. Em um cenário como este, ampliar a base de apoio é fundamental para manter as chances de um novo mandato.
Santa Catarina está entre os 13 Estados brasileiros que apresentam possibilidade de definir a eleição para governador ainda no primeiro turno, segundo estudo do BTG Pactual, baseado em pesquisas eleitorais. A relação inclui também São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Amapá e Roraima. Com exceção do Distrito Federal, isto corresponde a 50% do total de Estados do país. As pesquisas são mais favoráveis às candidaturas de Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina, Tarcício de Freitas (REP), em São Paulo, Arthur Henrique (PL), em Roraima, Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul, e João Henrique Caldas (PSDB), em Alagoas. Todos são filiados a partidos de direita.









