PolíticaRolando Christian CoelhoRolando Christian Coelho | Lula deve perder por não ter mais novidades

Rolando Christian Coelho | Lula deve perder por não ter mais novidades

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Desde março tenho sustentado a tese de que Flávio Bolsonaro (PL) será eleito presidente do Brasil no pleito deste ano. Por óbvio que não se trata de um exercício de adivinhação, mas de uma análise dentro do campo da Ciência Política que vai bem além dos números que eram apresentados nas pesquisas desde então. Os motivos para essa afirmação são baseados na seguinte tese: o governo Lula enfrenta um desgaste político, econômico e institucional que ultrapassa os números das pesquisas. Esse conjunto de circunstâncias criou condições reais para uma mudança no comando do país.

O primeiro fator é o esgotamento da capacidade de renovação do projeto petista. Desde 2003, o PT construiu sua identidade sobre programas sociais, transferência de renda, financiamentos habitacionais e incentivos ao consumo. Essas iniciativas tiveram importância, mas exigem recursos permanentes. Somadas ao crescimento das despesas obrigatórias, aos juros da dívida e às dificuldades fiscais, essas políticas reduziram o espaço para novos investimentos, ou seja, para “novas novidades”. Lula já não dispõe da mesma facilidade para anunciar iniciativas como representaram o Minha Casa, Minha Vida, a redução do IPI dos eletrodomésticos, os programas educacionais ou os financiamentos subsidiados.

Paralelamente, existe a insatisfação econômica da classe média. Os juros elevados encarecem automóveis, imóveis e investimentos. Embora a Selic seja definida pelo Banco Central, suas consequências repercutem sobre a avaliação do presidente. O governo federal apresenta indicadores favoráveis de emprego, mas isso não significa satisfação popular. Milhões de brasileiros trabalham e continuam enfrentando dificuldades para pagar suas contas. Uma coisa é ter emprego, outra é ter poder de consumo.

Outro componente a ser avaliado é a postura do Supremo Tribunal Federal. Condenações relacionadas aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, como a pena de 14 anos aplicada a Débora Rodrigues, a famosa Débora do Batom, e a condenação de Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado alimentaram críticas à proporcionalidade das decisões judiciais. Não ignoro a gravidade das acusações nem a independência constitucional do Judiciário. Entretanto, parte da população passou a interpretar determinadas decisões judiciais como excessivas, criando uma percepção de proximidade política entre integrantes do Supremo e o governo Lula. Essa interpretação fortaleceu o discurso de perseguição política defendido pelo bolsonarismo.

Há ainda uma diferença importante entre Bolsonaro pai e Bolsonaro filho. Jair Bolsonaro sempre adotou postura confrontadora, muitas vezes áspera e pouco conciliadora. Flávio apresenta comunicação mais polida, comportamento parlamentar e aparente disposição para o diálogo. Essa diferença pode contribuir para sua aproximação com setores que rejeitavam o estilo pessoal do ex-presidente.

Também não podemos esquecer a matemática eleitoral. Em 2022, Jair Bolsonaro perdeu para Lula por apenas 1,8 ponto percentual dos votos válidos. Mesmo com todo seu desgaste pessoal, motivado principalmente por seu negacionismo diante da Covid-19, observe que não foi uma derrota vexatória. Muito pelo contrário.

Essa combinação de fatores amarrou a candidatura petista e liberou o bolsonarismo para voltar a sonhar. Lula precisa convencer os brasileiros de que ainda possui condições de renovar seu projeto. Já Flávio precisa representar uma alternativa ao desgaste acumulado. O resultado definitivo dependerá das urnas, mas, sem dúvidas, mantenho minha convicção de que o caminho natural será a vitória de Flávio Bolsonaro, salvo, como venho dizendo ao longo dos últimos meses, se algo muito hecatômbico acontecer ao longo deste segundo turno.

Finais

O Republicanos oficializou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. O anúncio foi conduzido pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, em Brasília, com a participação de governadores como Tarcísio de Freitas, de São Paulo. A decisão amplia o conjunto de partidos que formalizaram alianças com o senador, incluindo União Brasil e Progressistas. Apesar da orientação nacional, o Republicanos admite posicionamentos divergentes de seus integrantes, especialmente no Nordeste. A articulação também envolve negociações relacionadas à futura composição política do Congresso Nacional, incluindo a presidência da Câmara dos Deputados.

O presidente Lula (PT) reconheceu problemas na organização de sua campanha após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. Durante encontro com parlamentares aliados, classificou a campanha como a menos organizada desde 1989. A avaliação provocou discussões internas sobre mudanças na comunicação e na participação de integrantes do governo. Para o segundo turno, Lula passou a enfatizar a segurança pública, defendendo a PEC da Segurança Pública e medidas de combate ao crime organizado. Também incluiu entre suas prioridades a discussão sobre a jornada de trabalho 6×1. As mudanças ocorrem às vésperas da retomada da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, marcada para 9 de outubro.

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