O resultado das eleições de 2026 consolidou o Partido Liberal como a principal força política de Santa Catarina, estabelecendo uma condição de protagonismo que dificilmente será desfeita no curto prazo. A reeleição de Jorginho Mello ao Governo do Estado, com quase 69% dos votos válidos, acompanhada da eleição de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado, onde se juntarão a Jorge Seif, além da conquista de sete cadeiras na Câmara dos Deputados e outras 16 na Assembleia Legislativa, representa muito mais do que uma vitória eleitoral. Trata-se da construção de uma estrutura partidária com capacidade de influência em praticamente todas as regiões catarinenses, reunindo lideranças, mandatos, recursos políticos e uma identidade ideológica que encontra expressiva correspondência no eleitorado estadual.
O crescimento do PL também precisa ser compreendido a partir do desgaste de organizações partidárias que, durante décadas, dominaram a política catarinense. MDB, Progressistas e PSD, embora continuem reunindo lideranças importantes e estruturas municipais relevantes, demonstraram dificuldades para transformar sua tradição administrativa em renovação eleitoral. Parte desse enfraquecimento decorre da crescente rejeição às práticas de acomodação política, às alianças circunstanciais e à ausência de posicionamentos suficientemente claros diante das grandes disputas nacionais. Paralelamente, o desgaste do governo Lula, particularmente entre os segmentos conservadores catarinenses, favoreceu a consolidação do PL como principal representante da oposição ao petismo, convertendo a identificação ideológica em expressivo patrimônio eleitoral.
Nesse contexto, as eleições municipais de 2028 apresentam perspectivas especialmente favoráveis ao partido de Jorginho Mello. A presença de 16 deputados estaduais, sete federais e três senadores deverá ampliar a capacidade de articulação com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, estimulando novas filiações e a formação de candidaturas competitivas. O partido poderá avançar tanto nos grandes centros quanto nos municípios menores, onde a proximidade com o Governo do Estado e a possibilidade de interlocução parlamentar costumam exercer influência significativa. Essa expansão, entretanto, dependerá da capacidade de transformar a votação de 2026 em organização municipal permanente, evitando disputas internas e acomodando lideranças oriundas de outras legendas.
Para 2030, o horizonte poderá ser ainda mais promissor, especialmente se Flávio Bolsonaro conquistar a Presidência da República no segundo turno deste mês. Nesse cenário, Santa Catarina passaria a reunir um governador politicamente alinhado ao presidente, três senadores e expressivas bancadas legislativas, criando condições favoráveis à ampliação da influência do PL nas decisões nacionais e estaduais. A convergência entre os governos federal e estadual também poderia fortalecer a presença partidária nos municípios, especialmente mediante investimentos e articulações institucionais.
O principal desafio do PL será demonstrar que sua expansão não representa apenas uma concentração circunstancial de votos conservadores, mas o nascimento de uma estrutura política duradoura. Se conseguir administrar suas próprias divergências, o que é algo não tão fácil de ser equacionado, e converter força eleitoral em resultados administrativos, o partido poderá chegar a 2028 em condições de ampliar significativamente suas prefeituras e a 2030 como favorito à manutenção do Governo de Santa Catarina. O que antes era um espaço político dividido entre legendas tradicionais passou a apresentar um novo centro de gravidade. E, pelo menos neste momento, esse centro tem nome, comando e identidade: Partido Liberal.
Finais
A eventual validação dos 27.289 votos obtidos por Elói Quege (MDB), que disputou a eleição sub judice, não seria suficiente para garantir a reeleição do deputado federal Valdir Cobalchini, tampouco ameaçaria as cadeiras conquistadas por Daniel Freitas (PL) e Paulinha (Podemos). Mesmo com esses votos incorporados, o MDB alcançaria 411.685 sufrágios, permanecendo sem condições de conquistar uma segunda vaga na Câmara dos Deputados. Cobalchini, que recebeu 99.751 votos, continuaria fora da bancada catarinense, enquanto Rafael Pezenti permaneceria como único federal eleito pelo MDB. A distribuição das cadeiras somente poderia mudar diante de outras decisões judiciais capazes de alterar os resultados eleitorais.
Reeleita para seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, com 75 mil votos, Geovania de Sá (REP) já admite disputar a Prefeitura de Criciúma em 2028. A parlamentar, que nasceu e construiu sua trajetória política no município, confirmou que administrar a cidade é um antigo sonho pessoal. Entretanto, condiciona uma eventual candidatura às articulações políticas e, especialmente, a um convite do governador Jorginho Mello (PL). Geovania também fez questão de manifestar respeito ao prefeito Vaguinho Espíndola (PSD) e ao ex-prefeito Clésio Salvaro (PSD). Por enquanto, a deputada afirma que sua prioridade é o mandato federal, mas deixa aberta a possibilidade de ingressar na disputa municipal daqui a dois anos.










