Quando chegou para trabalhar na CPP, a Central de Plantão Policial de Araranguá, na noite de segunda-feira, o policial civil Luís Cláudio da Rosa, o Índio, não imaginava que horas depois salvaria uma mulher disposta a tirar a própria vida.
Uma mulher havia procurado a CPP, contando que a irmã tinha ingerido vários medicamentos e tinha sido levada ao hospital. Quando foi liberada, a irmã a levou para a sua casa, para cuidar dela. Porém, pouco depois a mulher desapareceu, levando mais medicamentos e uma garrafa d’água. Com medo do que ela pudesse fazer, a irmã foi à Delegacia, acompanhada pelo cunhado. Eles disseram que a mulher tinha levado o celular e aparecia com o status ‘online’, mas assim que eles enviaram mensagens pelo WhatsApp, ela os bloqueou.
“Eles foram a Central de Polícia, para ver se podíamos rastrear o sinal, mas não temos equipamento para isso”, contou Índio. “Então eu resolvi adicionar ela e ver se ela falava comigo”. A estratégia deu certo, e com a irmã e o marido ao seu lado, o policial tentou saber onde a mulher se encontrava, sem que ela dissesse. “Ela me disse que estava bem longe de Araranguá, mesmo assim, continuei falando com ela. Eu não queria que ela desligasse, porque poderia perder os sentidos ou tirar a própria vida”, diz.
A conversa entre a mulher e o policial teve início por volta das 23h30min de segunda-feira e entrou pela madrugada e amanhecer de terça. “De madrugada eu fui para a cozinha da Central, sentei e já estava com os olhos quase fechando, mas não parei as conversas, uma vida vale todo o esforço”. Nesta altura, os familiares da mulher tinham voltado para casa.
Esforço recompensado
A insistência do policial foi recompensada. Em um dos áudios enviados pela mulher, ele escutou o barulho do mar e ela acabou confessando que estava no Balneário Arroio do Silva.
O dia quase amanhecia quando a família dela foi avisada, e todos foram para o Arroio, o policial para um lado da praia e os familiares para o outro. Ela foi encontrada bastante debilitada pelos medicamentos ingeridos e pela noite em claro e levada ao Hospital Regional. Depois de atendida, ela ligou para o policial, que também foi ao hospital. “Ela e a família disseram que eu era um anjo, isso não tem preço”, avalia o policial.
Índio tem 62 anos de vida e 34 de trabalho; estava aposentado e voltou ao trabalho no final de março. Sorte da mulher, que o ‘anjo’ estava a postos para evitar uma tragédia. Até a manhã de ontem, a mulher permanecia internada.












