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Cavalos policiais: saiba como funciona o policiamento ostensivo montado e os cuidados tomados com estes animais

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Os cavalos auxiliam no policiamento ostensivo da Brigada Militar o RS desde 1913. Com grande inteligência e força, estes animais estão junto aos seus tutores em diversas atividades. Através de treinamentos e cuidados específicos, estes equinos adquirem habilidades para auxiliar os policiais militares na manutenção da segurança pública. Este é o caso dos 348 cavalos dos Regimentos de Polícia Montada da corporação, os quais são preparados pelo Centro de Estudos, Treinamento, Reprodução Animal e Preservação Ambiental (CETRAPA) da Brigada Militar.

Apesar da história entre a Brigada Militar e o uso de equinos para trabalho ser longa, foi em 1989 que a corporação deu início a uma estrutura para a criação de equinos, com a construção de cocheiras para garanhões, baias para maternidade, laboratório para reprodução e piquetes para manuseio dos animais. Em 2002 surgiu o CETRAPA, centro que tem como responsabilidade a produção, criação, distribuição, reposição e substituição dos equinos que serão destinados para outras unidades da Brigada Militar. O local está situado na Fazenda Philipson, no município de Itaara e é centro de referência na produção do cavalo da raça Brasileiro de Hipismo, ideal para o emprego do policiamento montado.

Cavalo sentado no chão ao lado de uma mulher

De acordo com a médica veterinária do CETRAPA, Capitã Paula Cardoso, o treinamento dos animais inicia logo no seu nascimento. “Após anos de observação, identificamos que é de extrema importância que, desde o nascimento, crie-se um vínculo entre o homem e o animal. Este tipo de treinamento chama-se imprinting, no qual o animal é acariciado, ergue-se os membros, administra-se vitaminas orais, ensinamento de subida e descida de caminhões. Posteriormente, quando o animal atinge os 3 anos, inicia-se a doma.” relata a capitã Paula Cardoso. Após a doma, é iniciado então o treinamento específico para o policiamento montado, no qual o animal irá se acostumar com as movimentações, barulhos de tiros, fogo e etc.

A Brigada Militar pela cultura e relevância do cavalo no seu contexto histórico, sempre utilizou o policiamento montado em sua rotina operacional. A Arma Cavalaria tem como patrono o Marechal Manoel Luiz Osório e, a partir da valorização da cavalaria, a corporação possui hoje quatro Polos Regionais de Policiamento Montado, definidos em: 1º Polo em Santa Maria no 1º RPMon, o 2º Polo em Sant’Ana do Livramento no 2º RPMon, o 3º Polo em Passo Fundo no 3º RPMon, e o 4º Polo em Porto Alegre no 4º RPMon, que passou a ter vinculação técnica com o pelotão de polícia montada do 12º Batalhão de Polícia Militar da cidade de Caxias do Sul.

Segundo o Comandante do 4º RPMon, Tenente-Coronel Cláudio de Azevedo Goggia, o emprego de uma tropa montada possui inúmeras vantagens, tais como: ostensividade, campo de visão ampliado, o efeito psicológico causado, poder repressivo, emprego em locais e terrenos variados, economia de efetivo e grande mobilidade. Abaixo você irá compreender como funciona cada vantagem citada:

Não existe um processo de policiamento com mais OSTENSIVIDADE do que o policial montado, pois, devido à sua projeção mais elevada, ele se torna visível para a população, multiplicando a sensação de segurança pela presença policial e servindo como inibidor de conduta ou ação criminosa. Da mesma forma, o cavalo permite um CAMPO DE VISÃO ampliado por encontrar-se em posição superior à dos demais populares, isso lhe possibilita ver e ser visto mesmo em distâncias maiores.

O EFEITO PSICOLÓGICO caracteriza uma das maiores vantagens do emprego do policiamento montado e tem dupla finalidade. Em ações repressivas, a imponência do animal leva todos a respeitarem sua atuação. Por outro lado, o cavalo propicia uma aproximação com as pessoas de bem que buscam interagir com o animal, em especial as crianças que gostam de tocá-lo, o que traz uma maior confiança da população na tropa montada.

Tropa da cavalaria seguindo uma viatura em uma avenida

 

O PODER REPRESSIVO em ações de choque é outra característica representada pela força da relação entre homem-cavalo e, por vezes, somente sua aproximação já é suficiente para evitar o confronto direto da tropa com o distúrbio civil. Conforme os manuais mais tradicionais, em tais situações, um policial militar a cavalo equivale a 10 policiais militares a pé. Não se deve esquecer que a dispersão é o objetivo principal nas operações de controle de distúrbios civis, e a tropa montada deve estar engajada nessa missão, explorando ao máximo o poder intimidador e desencorajador da presença do animal. A tropa de choque convencional necessita do apoio da cavalaria como um recurso diferenciado dentre os meios existentes para restabelecer a ordem em manifestações não pacíficas e tumultos de natureza variada.

A facilidade do animal em transpor obstáculos e transitar em locais de difícil acesso, bem como sua velocidade e flexibilidade, apresenta mais uma grande vantagem da tropa de cavalaria ante as demais formas de policiamento e propiciam seu EMPREGO EM LOCAIS E TERRENOS VARIADOS.

A combinação da ostensividade, do efeito psicológico, do poder repressivo, da mobilidade e da flexibilidade, conferem ao patrulhamento montado uma característica toda especial que torna capaz de ampliar a sua área de responsabilidade e de segurança, com um número bem mais reduzido de patrulheiros em comparação com o efetivo a pé, possibilitando uma ECONOMIA DE EFETIVO.

Além de todos os fatores citados, a utilização do cavalo permite com que mesmo ao passo, o policial possa percorrer uma grande área de policiamento, sem desgaste algum, pois possui a característica de ter uma GRANDE MOBILIDADE.[

De acordo com o Tenente-Coronel Goggia, na realização do policiamento montado, o cavalo e o policial devem formar um conjunto harmônico que ofereça conforto, eficiência e segurança no desenvolvimento das atividades. “Ambos devem se sentir seguros com a ‘parceria’, sendo importante neste aspecto a instrução, preparação do patrulheiro montado e a utilização de um cavalo especificamente preparado para este fim.” relata o Tenente-Coronel Goggia. O equino utilizado na segurança pública é da raça Brasileira de Hipismo, o qual possui as características desejáveis para um animal de policiamento, como: porte, estatura, docilidade, lealdade, franqueza, rusticidade, coragem entre outras.

Cavalos soltos no campo e banhando-se em uma lagoa

Mas saiba que, assim como os policiais militares, os cavalos também se aposentam de suas atividades. Através de uma nota de instrução da Brigada Militar, ficou determinado que a idade limite ideal para o animal trabalhar é 18 anos. Os animais aposentados retornam dos regimentos para o CETRAPA, e lá ficam soltos em liberdade, continuam recebendo os mesmos cuidados médicos e alimentares, mas com a vida à campo, em liberdade.

Após aposentados, os animais podem ser doados. A prioridade é que o donatário seja o policial que por tantos anos fez “dupla com este animal, mas caso não haja interesse, o cavalo pode ser doado para uma pessoa civil ou uma organização sem fins lucrativos, sendo que após a doação, o animal deve permanecer o resto da vida sob cuidados do donatário. O animal não pode ser vendido, doado para outra pessoa ou utilizado para trabalhos ou atividades que visem lucro.

BM RS

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