Aos cozinheiros, padeiros e artistas da culinária, vai uma pergunta: qual é o ingrediente indispensável na sua receita predileta? Muitos fazem o maior mistério em torno desse detalhe, como se fosse um filme de suspense que aguça ainda mais a nossa curiosidade.
Quando o assunto é relacionamento, seja pessoal ou profissional, o ingrediente indispensável não é segredo nenhum: chama-se comunicação.
Uma pessoa pode ter feito inúmeros cursos universitários e ter lido todos os livros possíveis sobre o tema. Mas, se não souber usar a “dose certa” desse ingrediente, qualquer receita corre o risco de dar errado.
Outro dia, encontrei uma agenda minha de 2008 que me chamou atenção. Naquele ano, eu passava pela fase mais difícil desde que cheguei sozinha aos Estados Unidos.
Havia acabado de perder minha mãe, em junho de 2007. A dor e a saudade eram quase insuportáveis, mas eu seguia firme no meu quinto ano de BK, cuidando das minhas gêmeas de apenas três aninhos.
Em uma das anotações, escrevi:
“Aprendi hoje que, algumas vezes, devo ouvir mais do que pensar. Não deixo as pessoas explicarem porque imagino já saber a resposta. Grande erro!”
Assim somos nós, seres humanos: vivemos de suposições. Quantos relacionamentos destruímos por não ouvir o outro ou por concluirmos a situação apenas do nosso ponto de vista?
Certa vez, meu supervisor João chegou à loja com várias perguntas sobre alguns problemas da semana. Como parte do seu trabalho, precisava apurar os fatos e entender por que os números não estavam bons.
No entanto, Antonio e eu estávamos lidando com outras questões urgentes e precisávamos focar no “aqui e agora”. Chateado, João foi embora e nos enviou um extenso e-mail com acusações e exigindo respostas imediatas.
Naquele momento, minha primeira vontade foi responder o e-mail com minha carta de demissão. Mas, ao olhar para minha equipe à minha frente, lembrei-me do meu propósito de vida: impactar positivamente o mundo ao meu redor.
A comunicação é uma arte, um jogo de equilíbrio. Precisamos lembrar que emoção e razão devem andar juntas. Se a emoção sobe, a razão desce — e o resultado é desastroso.
O que João esqueceu é que ele mesmo havia autorizado um dos meus treinamentos para líderes da companhia, no qual abordamos justamente a comunicação em diferentes áreas: equipe, liderança, clientes e superiores.
Um dos pontos mais fortes do treinamento é a ferramenta chamada “Sandwich Feedback”.
Imagine um simples sanduíche: duas fatias de pão e, no meio, a carne.
Esse método consiste em orientar o outro de forma diplomática, com base em uma abordagem positiva. Em vez de críticas e exigências que fazem a pessoa se sentir desvalorizada, usamos as “duas fatias de pão” para valorizar e reforçar pontos fortes, enquanto a “carne” representa o que precisa ser melhorado.
Voltando à cena com João:
Ele poderia ter começado o e-mail destacando os resultados positivos da semana anterior e elogiando o empenho da equipe (a primeira fatia de pão).

Para quem está longe de casa, como eu, é sempre bom recordar a belíssima música “Querência Amada”, um dos grandes sucessos da dupla.
Em seguida, de forma diplomática e profissional, enumerar suas preocupações com os números e solicitar um plano de ação para melhorias (a carne do sanduíche).
Por fim, concluir reafirmando sua confiança e satisfação com a equipe (a fatia de cima).
O Sandwich Feedback é amplamente utilizado em universidades de negócios e em manuais de Recursos Humanos para aprimorar a comunicação dentro das empresas e fortalecer lideranças.
Mas é importante lembrar: todo relacionamento, seja no trabalho, em casa ou na sociedade, é uma verdadeira obra de arte. Para mantê-lo saudável, a boa comunicação é o ingrediente que não pode faltar.
Entretanto, mais importante do que o que você diz, é quando e como você diz.
Experimente aplicar essa receita e veja seus relacionamentos seguirem em uma direção mais leve, equilibrada e positiva.