Ao comparar o início deste ano com o início do ano anterior no trabalho, consigo perceber algumas semelhanças ou repetições. O inverno rigoroso na Nova Inglaterra chega trazendo viroses e resfriados que contagiam em pouco tempo. Nunca sabemos quem será o próximo a cair e, consequentemente, faltar ao trabalho. O estresse é intenso para quem precisa redobrar as forças, tanto físicas quanto emocionais, para dar conta da demanda.

1999. Entrevista com o queridíssimo Silvio L. Santos, violinista do cantor Daniel.
Em cada concerto que assisti (quatro), na oportunidade em que entrevistei o cantor, o violino de Silvio falava por si.
Um espetáculo à parte. Indescritível.
O meu ano começou com muito mais desafios do que o ano anterior, pelo menos é o que eu sinto. Mal consigo emergir de um, lá vem outro. Parece uma avalanche. Uma montanha de coisas para resolver e, como se não bastasse, dois de meus assistentes caem também. A carga fica maior e mais exaustiva, tanto para mim quanto para os outros que permanecem de pé.
Na época em que iniciei na área jornalística, lá pelo início da década de 90, ouvia sempre a expressão: “Mais parece uma bola de neve!”. Claro que entendia perfeitamente. Uma bola de neve vai aumentando à medida que rola e, com isso, causa mais danos do que deveria, se a tivéssemos eliminado no início.
Ao viver na Nova Inglaterra, sou lembrada a todo momento do que é uma bola de neve. Literalmente! Já fui atacada por algumas pequenas — não as que rolavam, mas as que me atiravam em brincadeiras.
Porém, quando o assunto é trabalho e desafios, a situação não é engraçada. Não é uma guerra de bola de neve. É, na verdade, uma avalanche e, como tal, precisa ser contida logo no início.
Não bastasse a falta de mão de obra, surgem os conflitos entre funcionários, consequência da falta de paciência ou do estresse contagiante. Ainda que minha equipe seja bem treinada para lidar com estresse e ansiedade, um bom líder precisa estar à frente e atento a qualquer situação inesperada.
“Pick your battles!” — expressão que usamos aqui nos EUA — significa, em português: “Escolha suas batalhas”. Ou melhor, saiba pelo que vale a pena lutar.
O que ela quer dizer, na prática?
Nem toda discussão, conflito ou problema merece seu tempo, sua energia ou seu estresse. A expressão aconselha discernimento emocional e estratégico. Ou seja, quando várias situações simultâneas parecem abalar suas estruturas, pare e reflita: qual é a mais importante e merece maior foco?
Essa prática também é válida nos relacionamentos. Nem toda discordância precisa virar discussão. Nem todo erro vale um confronto.
Se o seu ano novo parece uma reprise do ano anterior, talvez você precise rever suas estratégias — ou talvez precise ser mais decisivo em suas escolhas. Lembre-se de que, quando gastamos energia sem critério, nos esgotamos; mas, ao fazermos as escolhas certas, nos fortalecemos.
Levante-se!
Avalanches não se detêm com força bruta, mas com estratégia. Não se deixe levar por uma bola de neve; encare, com determinação e firmeza, apenas as batalhas que precisam ser travadas. O ano recém começou. Os desafios continuarão aparecendo — e a forma como você os enfrenta definirá o caminho.









