A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o assassinato do detento Ramon de Oliveira Machado, ocorrido no dia 20 de fevereiro no Presídio Regional de Araranguá. O caso, considerado de extrema violência, resultou no indiciamento de três presos por homicídio duplamente qualificado e fraude processual.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, inicialmente um detento conhecido chegou a assumir a autoria do crime perante policiais penais logo após o ocorrido. No entanto, quando foi conduzido à Delegacia de Polícia para prestar depoimento formal, ele optou por permanecer em silêncio, o que levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações dentro da unidade prisional.
Após diligências realizadas no presídio e a oitiva de todos os detentos que estavam no alojamento, a polícia concluiu que o crime foi cometido diretamente por outros dois presos, com participação do primeiro.
Segundo a investigação, a vítima estava sentada na entrada do alojamento jogando baralho quando foi surpreendida pelo primeiro golpe. O ataque começou quando um deles desferiu uma estocada na altura do rosto da vítima e, em seguida, outro golpe na nuca.
Ramon ainda tentou fugir, correndo até uma das camas do alojamento, mas foi alcançado e imobilizado. Conforme o laudo pericial, ele foi atingido por cerca de 160 perfurações provocadas por um objeto perfurocortante improvisado, conhecido entre os presos como “estilete”, geralmente produzido a partir de vergalhões metálicos utilizados em obras.
Durante o ataque, enquanto um dos envolvidos segurava a vítima, o outro desferia sucessivos golpes até que Ramon ficasse inconsciente.
Após o assassinato, os detentos ainda tentaram destruir provas do crime. Segundo o delegado, o corpo da vítima foi arrastado até o banheiro do alojamento, onde foi lavado com água sanitária na tentativa de eliminar vestígios e impressões digitais. As roupas da vítima e os objetos utilizados no crime foram jogados no vaso sanitário, impossibilitando a recuperação do material.
Na sequência, o corpo foi levado novamente até a porta do alojamento. Foi nesse momento que um deles chamou os agentes penitenciários e afirmou ter cometido o crime, tentando assumir sozinho a responsabilidade pelo assassinato.
As investigações apontaram ainda que os três detentos teriam se reunido previamente no banheiro do alojamento, onde os instrumentos usados no crime foram distribuídos antes do ataque.
A motivação, conforme apurado pela Polícia Civil, teria sido uma desavença anterior entre a vítima e dois dos envolvidos, considerada pelas autoridades como motivo fútil.
Todos os 27 detentos que estavam no alojamento no momento do crime foram ouvidos durante o inquérito, alguns deles na condição de testemunhas protegidas. Os relatos ajudaram a reconstruir a dinâmica do homicídio.
Diante das provas reunidas, os três presos foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima, além do crime de fraude processual, pela tentativa de destruir evidências.
O delegado também representou pela manutenção da prisão preventiva de um e pela decretação da prisão preventiva dos outros dois envolvidos. Os três detentos já foram transferidos para outras unidades prisionais.
O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário e agora será analisado pelo Ministério Público, que deverá decidir sobre o oferecimento de denúncia formal contra os investigados.











