A segunda-feira foi de tensão na região depois que, ainda no início da manhã, um homem, Cristiano Amaral Júnior, de 28 anos invadiu uma casa em Balneário Gaivota e fez uma família refém. Após cerca de dez horas de cárcere, o homem acabou morto a tiros.

Armado com uma faca, ele entrou na residência por volta das 7h50min e rendeu uma mulher, dois adolescentes de 15 e 16 anos e um menino de quatro anos. O pai da família não estava em casa no momento da chegada do homem.

O homem seria de Viamão (RS) e trabalhava em uma construtora, de onde foi demitido após dois dias trabalhando. Revoltado, ele foi até a casa do ex-chefe e fez a família refém. As crianças foram liberadas da casa ainda pela manhã, mas a mulher ficou junto com o sequestrador.

Conforme a PM, havia indícios de que o homem era usuário de drogas e tinha passagens policiais, inclusive por roubo.

Ainda durante as negociações, o rapaz falava com a Polícia, através do celular da vítima. No decorrer do dia, foram cortados a água e a energia elétrica da casa. O agressor, então, fugiu para um cômodo, dentro da casa, junto da mulher. No local havia policiais à paisana, na tentativa de se aproximarem.

Por volta das 17 horas, depois de oito horas de cárcere privado, a Polícia Militar, o Bope, o Batalhão de Operações Policiais Especiais, e o Cobra, o Comando de Operações Busca Resgate e Assalto, invadiram a casa e dispararam contra o rapaz. Cerca de oito tiros foram efetuados, atingindo o marginal. Nenhum membro da família se feriu.
Postura suicida
O tenente-coronel Ronaldo da Cruz, comandante do 19º BPM, e o delegado da Polícia Civil de Sombrio, Luís Otávio Pohlmann, após o fim do cárcere, concederam coletiva de imprensa sobre o caso. Da Cruz declarou inicialmente que o desfecho não foi o que esperavam, pois, o serviço das autoridades é “preservar a vida”, e que o agressor desde sempre, se colocou em situação de risco.
Sobre os momentos que antecederam o fim do cárcere, Pohlmann explicou sobre uma explosão que foi ouvida por quem estava na área da casa. Segundo o delegado da Polícia Civil, neste momento a mulher já estava em segurança e foi iniciada a rendição do homem. “Foi jogada uma granada de efeito moral, a fim de facilitar a rendição dele. Mas isso não teve efeito algum. Ele partiu para cima dos policiais, e neste momento, não teve outra alternativa a não ser realizar os disparos, que o feriram fatalmente”, contou.
Os policiais reafirmaram que a postura do jovem foi “suicida” durante todo o dia, e que ele não exigiu nada em nenhum momento. “Os reféns foram sendo libertados durante o trabalho de negociação, mas sempre em troca de coisas mínimas. E ele sempre demonstrava sua intenção de morrer”, continuou Pohlmann. Ele já teria tentado o suicídio anteriormente.
A irmã e um cunhado do homem estiveram no local e ajudaram nas negociações.
O caso será investigado.
Negociações
O capitão Forbes, do Cobra, falou à imprensa sobre as negociações com o marginal. De acordo com ele, desde o início houve total colaboração entre as polícias, levantando informações sobre os envolvidos. O capitão concordou com o que foi falado pelos colegas, sobre a postura suicida do criminoso. “Ele atenta contra a vida de terceiros ou dos policiais, para que os policiais em defesa neutralizem e acabem tirando a vida dele. A negociação foi muito difícil e foi evoluindo nesse sentido”, comentou.
Ele classificou o trabalho como “extenuante” e disse que as negociações se concentraram em fazer com que o homem se entregasse. “Claramente, ele não tinha a intenção de se render”, comentou.
A equipe, então, optou por jogar uma granada de luz e som para desnortear o homem, algo que não fez efeito. “Com a faca, ele partiu para cima dos policiais, que tiveram de neutralizar a ameaça”, continuou o capitão.
O oficial também relatou que o trabalho de negociação é complexo e delicado, e que no caso de Balneário Gaivota, o mediador chegou a ficar por meia hora sem contato com o sequestrador e com a vítima, algo preocupante nestas situações. “Nós pensamos: será que ele fez algum mal contra ela e ela não está nos respondendo? Então, ficamos sempre nessa situação. É algo delicado e preocupante”, pontuou.
“O último dia da minha vida”
Negociadores da Polícia vieram de Florianópolis para Balneário Gaivota na intenção de conversar com o jovem. Durante as negociações, ele dizia que não queria machucar ninguém, mas assumiu que este seria “o último dia da minha vida”.
Uma das exigências do homem foi de conversar com um membro da imprensa. A uma jornalista, por telefone, ele pediu desculpas à sua família, que vive no Rio Grande do Sul, à família que tinha feito de refém, e alegou que sua “decisão estava tomada”. Quando foi pedido a ele que soltasse a mulher, o homem desligou o telefone.
Também havia informações de que, ao ser preso por roubo, o homem teria apanhado na cadeia, de modo que repetiu várias vezes que “para a cadeia, eu não volto”.
Na noite anterior ao crime, o homem teria vendido o cachorro de raça da irmã por R$ 300,00 e usado drogas, indicando que já estava se preparando para a invasão.
Ainda enquanto ocorria o cárcere, o sequestrador falou com a própria família, compartilhando sua decisão.











