Uma câmera de segurança de um prédio em São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina, registrou o momento em que um entregador de delivery foi atropelado por um automóvel enquanto estava sobre a calçada. O caso ocorreu na noite de 7 de julho do ano passado e agora resultou em uma ação penal por tentativa de homicídio contra o motorista suspeito.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e recebida pelo Poder Judiciário na última sexta-feira (6). O motorista responde por tentativa de homicídio qualificada pelo perigo comum — por supostamente dirigir em velocidade acima do permitido em uma área de grande circulação — além do crime de embriaguez ao volante.
Segundo a denúncia oferecida pela promotora de Justiça Gabriela Arenhart, da 2ª Promotoria de Justiça da comarca, as investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que a vítima havia chegado de motocicleta a um prédio localizado no bairro Schramm por volta das 22h20 para realizar uma entrega.
Nesse momento, o entregador foi surpreendido pelo veículo que avançou sobre a calçada, não tendo qualquer chance de reação antes de ser atingido.
Com o impacto, o trabalhador sofreu traumatismo craniano, múltiplas lesões e fraturas na cabeça, chegando a correr risco de vida. Em razão da gravidade dos ferimentos, ele precisou se afastar de suas atividades por mais de 30 dias para se recuperar.
De acordo com o Ministério Público, o motorista não provocou a morte da vítima por circunstâncias alheias à sua vontade, já que o entregador foi socorrido rapidamente e encaminhado para atendimento médico.
Logo após o acidente, o suspeito foi abordado por policiais militares. Conforme o registro da ocorrência, ele apresentava sinais de embriaguez, como hálito alcoólico e fala alterada, além de ter admitido que havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir.
Para a promotora de Justiça Gabriela Arenhart, a conduta representa um grave risco à sociedade.
“A calçada é um espaço destinado à circulação segura de pedestres, e avançar sobre ela com um veículo, ainda mais sob efeito de álcool e em velocidade incompatível, revela um desprezo inaceitável pela vida humana”, destacou.
Com o recebimento da denúncia, o Ministério Público pede que o motorista seja submetido ao Tribunal do Júri, onde poderá ser julgado por cidadãos da própria sociedade.











