Ao deparar-se com uma fila de espera extensa, certas pessoas sentem-se frustradas, outras desanimadas e há quem encare a situação com um “fazer o quê? Reclamar é pior”. E você? Qual é a sua atitude?

Nas várias vezes em que enfrentei filas antigamente — para pagar contas, em bancos ou eventos — eu acabava por fazer uma nova amizade. Sim, essa era eu e ainda sou assim. Não costumo me intimidar com a espera porque encontro conforto em um bom bate-papo.
Hoje, as filas que enfrento são, na maioria das vezes, as de trânsito. Se estou acompanhada, aproveito para conversar; se estou sozinha, aproveito para relaxar ouvindo uma boa música, um vídeo informativo ou um audiolivro. A frustração pode até tentar aparecer, mas eu me desvio dela usando o meu tempo “extra” de forma útil e positiva.
Essa é a mentalidade das pessoas que amo ter por perto. Elas sabem fazer de um momento difícil uma lição de vida; transformam o desânimo em algo agradável e, talvez, inesquecível.
Foi exatamente assim no meu último dia de folga, ao enfrentar a tarefa necessária de renovar o meu passaporte e o das minhas filhas gêmeas. O lado bom é que hoje não enfrentamos filas físicas, pois tudo é agendado para simplificar o processo. E eis a palavrinha mágica que me fascina: simplificar! Minimizar tempo e estresse.
Mesmo assim, o que poderia ser um processo burocrático tornou-se memorável. Sabe por quê? Porque, em vez de focarmos apenas em viagens futuras ou na validação do documento, focamos no valor daqueles minutos de convivência enquanto assinávamos os papéis. Tivemos tempo para rir e relembrar pessoas e momentos que nos marcaram. É o “aqui e agora” que faz a vida valer a pena, mesmo quando a mente viaja em uma memória gostosa.
Geralmente, renovar documentos é visto como um “mal necessário”. Assim também são muitas tarefas e conflitos do nosso cotidiano. Se olhássemos para o problema como uma oportunidade, talvez encontrássemos leveza na espera e agradeceríamos pela chance única — afinal, muitos não têm a mesma oportunidade que nós.
Simplificar, em vez de complicar, é focar no que realmente importa, sem rodeios. A nossa “melhor versão” não é aquela que atinge o destino final, mas a que sabe transformar uma fila de repartição pública em um momento de conexão real com os outros ou consigo mesmo.
O verdadeiro passaporte que precisamos carimbar todos os dias é o da presença. Estar ali com minhas filhas foi o verdadeiro “destino” alcançado, independentemente de para onde o documento físico as levará no futuro.
Busque isso também no seu dia a dia. Quando encarar uma tarefa que requer espera, foque no agora. Quando focamos apenas na espera, damos vazão à ansiedade; mas quando usamos o tempo para nos conectarmos com o mundo ao nosso redor, despertamos sentimentos que nos impulsionam com mais sentido.
Valorize cada minuto. Não complique o tempo de qualidade achando que ele só acontece em grandes eventos; ele pode florescer em uma tarde comum, resolvendo pendências.









