A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a atuação de um grupo de técnicos de enfermagem suspeito de envolvimento em pelo menos três mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga. De acordo com a Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), a principal linha de investigação indica que o técnico apontado como líder do grupo teria cometido os crimes por prazer, apresentando perfil compatível com o de um psicopata.
Segundo o delegado responsável pelo caso, as investigações apuram a participação direta de três profissionais de enfermagem nas mortes de pacientes internados na unidade hospitalar. As vítimas identificadas até o momento têm idades de 33, 63 e 75 anos, mas a polícia não descarta a existência de outros óbitos relacionados ao grupo.
As apurações indicam que o principal suspeito pode ter influenciado ou manipulado as outras duas investigadas para auxiliá-lo na prática dos crimes. Uma delas estava em início de carreira e atuava em seu primeiro emprego, enquanto a outra mantinha amizade de longa data com o investigado.
Imagens do circuito interno de segurança do hospital mostram que as técnicas acompanharam a preparação e a aplicação de medicamentos em pelo menos dois casos. Em uma das situações, uma das investigadas permaneceu no quarto durante a aplicação sem intervir. Em outro episódio, a segunda técnica, que atuava em setor diferente, aparece monitorando a entrada do quarto enquanto o procedimento era realizado.
De acordo com a Polícia Civil, os pacientes sofreram paradas cardíacas após a administração de medicamentos em dosagens incompatíveis com qualquer prescrição médica. As imagens também mostram o principal suspeito falsificando receitas e preparando substâncias que, segundo os investigadores, jamais seriam indicadas por um médico.
O delegado afirmou que as versões apresentadas pelo principal investigado não se sustentam diante das provas reunidas. Inicialmente, ele alegou ter agido sob estresse de plantão. Posteriormente, afirmou que teria sentido compaixão pelas vítimas e buscava aliviar o sofrimento. No entanto, uma das pacientes, de 75 anos, estava consciente e havia sido internada por constipação intestinal, não apresentando quadro grave que justificasse tal conduta.
A Polícia Civil aguarda os laudos periciais de celulares e computadores apreendidos para esclarecer a real motivação dos crimes e verificar possíveis comunicações entre os envolvidos ou com terceiros. A expectativa é que os laudos sejam concluídos entre 15 e 20 dias.
Os três técnicos devem responder por homicídio qualificado, com agravantes como o uso de meio insidioso — pela aplicação de medicamentos — e a impossibilidade de defesa das vítimas, que estavam acamadas. A pena prevista para cada crime varia de 12 a 30 anos de prisão.
Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil pretende instaurar uma nova investigação para apurar se os suspeitos podem ter atuado de forma semelhante em outros hospitais. Serão analisados prontuários de pacientes que morreram durante plantões em que os investigados estavam de serviço, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades onde tenham trabalhado.
As duas técnicas presas foram encaminhadas ao presídio feminino da Colmeia. O principal suspeito permanece detido na carceragem da Polícia Civil durante o período de prisão temporária. A expectativa da investigação é que a prisão seja convertida em preventiva após a conclusão das perícias.










