A Polícia Civil esclareceu, em detalhes, a morte de João Pedro dos Santos, de 28 anos, morador de São João do Sul, que estava desaparecido desde o dia 22 de fevereiro deste ano. Dois suspeitos foram presos preventivamente na quinta-feira (09), em ações realizadas nos municípios de Santa Rosa do Sul e Sombrio. As informações foram apresentadas durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (10), na sede da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Araranguá.
O caso mobilizou forças de segurança de toda a região e gerou grande comoção. O corpo da vítima foi encontrado no dia 1º de março, na comunidade de São Camilo, em Sombrio, parcialmente submerso em um valo, em avançado estado de decomposição. A localização ocorreu após um morador estranhar a presença de aves sobrevoando um ponto isolado, em meio à vegetação, o que o levou a se aproximar e acionar a Polícia Militar.
Início das investigações e identificação
De acordo com o investigador Glauter, as investigações passaram a ser conduzidas pela Polícia Civil de Sombrio a partir da localização do corpo, embora o desaparecimento já tivesse sido registrado anteriormente em São João do Sul. A identificação da vítima foi possível por meio de elementos coletados no local e pela correlação com o registro de desaparecimento.
Ainda na cena do crime, os policiais encontraram indícios relevantes, como um relógio, um simulacro de arma de fogo (com parte do mecanismo localizada), além da posição dos chinelos da vítima, que estavam distantes entre si — o que indicava movimentação e possível luta corporal. Esses elementos foram fundamentais para a reconstrução inicial da dinâmica dos fatos.
Dinâmica do crime
As investigações apontaram que João Pedro foi atraído pelos suspeitos na noite de seu desaparecimento, por volta das 22h30. Conforme apurado, ele estava em casa e havia informado familiares que iria dormir, mas acabou saindo após ser contatado pelos autores.
Os suspeitos, com quem a vítima já tinha relação de convivência, teriam combinado um encontro na cidade de Santa Rosa do Sul, sob o pretexto de consumirem entorpecentes juntos, prática que, segundo a investigação, já ocorria anteriormente entre eles.
Após o encontro, os três seguiram no veículo da vítima — um carro vermelho — até Sombrio, onde adquiriram drogas. Em seguida, dirigiram-se até um local isolado, previamente conhecido pelos autores, com o objetivo de consumir o entorpecente.
Foi nesse momento que, segundo a Polícia Civil, os suspeitos anunciaram o assalto. Utilizando um simulacro de arma de fogo, passaram a ameaçar a vítima e exigiram que ela realizasse saques bancários ou entregasse valores em dinheiro.
Reação e morte da vítima
A investigação aponta que João Pedro, ao perceber que a arma utilizada era falsa, reagiu à abordagem, iniciando uma luta corporal com os autores. Durante o confronto, um dos suspeitos sacou uma faca e desferiu golpes na região do pescoço da vítima, causando ferimentos graves.
A causa da morte foi confirmada posteriormente por exame cadavérico realizado pela Polícia Científica, que identificou lesões compatíveis com ataque por arma branca, resultando em intenso sangramento.
Após o crime
Após matar a vítima, os suspeitos abandonaram o corpo no local e fugiram com o veículo. Segundo a Polícia Civil, a intenção era obter vantagem financeira com o automóvel. Até o momento, o carro não foi localizado, e diligências seguem em andamento para esclarecer o destino do bem.
O celular da vítima também não foi encontrado. Um dos investigados afirmou ter se desfeito do aparelho, e buscas foram realizadas, porém sem sucesso até agora.

Prisões e interrogatórios
Com base nas provas coletadas ao longo da investigação — incluindo análise de câmeras de monitoramento, dados eletrônicos, depoimentos e evidências físicas — a autoridade policial representou pela prisão preventiva dos suspeitos, que foi deferida pelo Poder Judiciário.
Um dos homens foi preso em Santa Rosa do Sul, em um local já conhecido por atividades relacionadas ao tráfico de drogas. O outro foi detido em Sombrio.
Durante os interrogatórios, um dos suspeitos optou por permanecer em silêncio. Já o outro confessou participação no crime, corroborando a linha investigativa construída pela Polícia Civil e fornecendo detalhes adicionais sobre a dinâmica dos fatos.
Perfil dos suspeitos
Os dois investigados têm entre 20 e 30 anos e já possuem antecedentes, especialmente relacionados ao tráfico de drogas. Um deles, inclusive, já havia sido indiciado por um homicídio ocorrido anteriormente na região de Sombrio.
Uma característica que chamou a atenção dos investigadores é que um dos suspeitos possui deficiência física, utilizando prótese em uma das pernas — fato que também foi considerado na análise da dinâmica do crime.
Motivação e tipificação
As investigações descartaram a hipótese de que o crime tenha sido motivado por dívida. Conforme a Polícia Civil, há fortes indícios de que a ação foi premeditada, com o objetivo de roubo.
A tipificação penal ainda será definida na conclusão do inquérito, que deve ocorrer dentro do prazo legal. Entre as possibilidades estão homicídio, latrocínio (roubo seguido de morte) e sequestro seguido de morte — sendo estes dois últimos considerados crimes de maior gravidade no Código Penal.
Caso elucidado
Apesar de algumas diligências ainda estarem em andamento, especialmente para localizar o veículo e outros objetos, a Polícia Civil considera o caso esclarecido quanto à autoria e à dinâmica do crime.
Durante a coletiva, os investigadores destacaram a importância da colaboração da população e o trabalho integrado entre as forças de segurança, ressaltando que a resposta rápida e a coleta eficiente de provas foram fundamentais para a elucidação de um crime considerado brutal e que chocou toda a região.










