Nicolás Maduro, presidente da Venezuela desde 2013, é alvo de críticas constantes de governos estrangeiros e organizações internacionais pela forma como conduz o regime chavista e pelo questionamento recorrente dos processos democráticos no país. Sua permanência no poder tem sido marcada por eleições contestadas, denúncias de repressão política, crise humanitária e crescente tensão internacional, especialmente com os Estados Unidos.
Maduro venceu sua primeira eleição presidencial em 14 de abril de 2013, poucos dias após a morte de Hugo Chávez, superando o opositor Henrique Capriles por menos de dois pontos percentuais. A vitória apertada deu início a uma nova fase da política venezuelana, já cercada de acusações de fraude e pedidos de recontagem que nunca avançaram.
Origem política e ascensão ao poder
Nascido em 23 de novembro de 1962, em Caracas, Nicolás Maduro Moros trabalhou como motorista de ônibus e teve atuação sindical antes de ingressar definitivamente na política. Foi guarda-costas do então político José Vicente Rangel e, posteriormente, participou da fundação do Movimento V República, partido criado por Hugo Chávez.
Maduro foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte em 1999, depois deputado e, entre 2006 e 2013, ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores. Em outubro de 2012, Chávez o escolheu como vice-presidente e, pouco antes de morrer, indicou Maduro como seu sucessor. Após a morte do líder chavista, em março de 2013, Maduro assumiu como presidente interino e venceu a eleição realizada no mês seguinte.
Protestos, crise e mudanças institucionais
A partir de 2014, a Venezuela passou a viver uma onda de protestos estudantis e populares, impulsionados pela crise econômica, inflação elevada e escassez de produtos básicos. Em resposta, Maduro decretou estado de emergência econômica e, posteriormente, emergência constitucional.
Em 2017, anunciou medidas para alterar a Constituição, criando a Assembleia Nacional Constituinte, órgão pró-governo que substituiu, na prática, o Legislativo controlado pela oposição. A votação foi amplamente criticada por observadores internacionais, que apontaram irregularidades e falta de transparência.
Reeleição contestada e sanções internacionais
Em 2018, Maduro foi reeleito em um pleito boicotado por parte da oposição e considerado ilegítimo por diversos países. A participação eleitoral caiu significativamente em comparação com eleições anteriores. Após o resultado, o Grupo de Lima e outras nações se recusaram a reconhecer a legitimidade do novo mandato.
No mesmo ano, Maduro sobreviveu a uma suposta tentativa de assassinato com drones explosivos durante um desfile militar. O governo atribuiu o ataque à oposição e a aliados estrangeiros, enquanto críticos questionaram a versão oficial.
Juan Guaidó e disputa pelo poder
Em janeiro de 2019, Maduro iniciou mais um mandato sem reconhecimento de grande parte da comunidade internacional. No mesmo período, o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino, sendo reconhecido por países como Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil à época.
A crise política se aprofundou, com novas sanções econômicas, protestos e acusações mútuas de tentativa de golpe.
Denúncias de violações de direitos humanos
Relatórios da ONU, da OEA, da Human Rights Watch e da Anistia Internacional apontam prisões arbitrárias, repressão violenta a manifestações, perseguição a opositores e restrições à liberdade de imprensa. O Tribunal Penal Internacional (TPI) investiga possíveis crimes contra a humanidade cometidos por autoridades venezuelanas desde 2014.
Eleições de 2024 e novo mandato
Em 2024, Maduro foi novamente declarado vencedor das eleições presidenciais pelo Conselho Nacional Eleitoral, alinhado ao regime. O resultado foi contestado pela oposição, que afirma ter provas de vitória do candidato Edmundo González Urrutia, apoiado por María Corina Machado, impedida de concorrer.
Diversos países não reconheceram o resultado. Protestos tomaram as ruas, com milhares de detenções e mortes registradas por organizações independentes. González acabou se asilando na Espanha, classificando a saída do país como exílio forçado.
Maduro tomou posse de um novo mandato em 10 de janeiro de 2025, em meio a forte isolamento diplomático.
Escalada de tensão com os Estados Unidos
Em 2025, os Estados Unidos aumentaram a pressão contra o regime venezuelano, oferecendo uma recompensa de até US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, acusado por Washington de liderar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista internacional.
O governo norte-americano também intensificou operações militares no Caribe contra o narcotráfico, ampliando a tensão bilateral. Segundo relatos, Maduro teria cogitado deixar o país em troca de anistia total e suspensão de sanções, proposta rejeitada pelos EUA.
Apesar da pressão internacional, Maduro reafirmou publicamente sua permanência no poder e declarou “lealdade absoluta” ao povo venezuelano, prometendo resistir até o fim.
A trajetória de Nicolás Maduro permanece marcada por polarização política, denúncias internacionais, crise humanitária e instabilidade, colocando a Venezuela no centro de uma das mais complexas disputas geopolíticas da América Latina.










