O Relógio do Juízo Final, símbolo que representa o quão perto a humanidade está de uma catástrofe global, foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor intervalo já registrado desde sua criação. O avanço de três segundos em relação ao último ano foi anunciado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos (Bulletin of the Atomic Scientists – BAS).
De acordo com a organização, os principais fatores que motivaram o novo ajuste são o comportamento agressivo de potências nucleares, como Rússia, Estados Unidos e China, o enfraquecimento dos mecanismos de controle de armas nucleares, além dos conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio. O avanço acelerado da inteligência artificial e seus impactos ambientais também foram considerados no cálculo.
Criado em 1947, o relógio foi inicialmente ajustado para sete minutos antes da meia-noite. Em 2020, passou a marcar 100 segundos, permanecendo nesse patamar em 2021 e 2022. Em 2023, avançou para 90 segundos, posição mantida em 2024. Em 2025, recuou um segundo, mas agora voltou a se aproximar perigosamente da marca simbólica que representa a destruição global.
O momento mais distante da meia-noite ocorreu em 1991, com o fim da Guerra Fria, após a assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) entre Estados Unidos e União Soviética. Na ocasião, o relógio foi atrasado em 17 minutos, refletindo um período de maior estabilidade internacional. O tratado, no entanto, expira em 5 de fevereiro, e ainda não há confirmação de renovação.
Segundo o BAS, a guerra na Ucrânia segue sendo um fator de alto risco. O boletim alerta que o conflito “pode se tornar nuclear a qualquer momento, seja por decisão precipitada, acidente ou erro de cálculo”. O grupo também aponta que o conflito no Oriente Médio ameaça sair do controle, além de destacar o fracasso de muitos governos em adotar medidas eficazes para conter as mudanças climáticas.
Um símbolo de alerta global
O Relógio do Juízo Final foi idealizado após a Segunda Guerra Mundial por cientistas envolvidos no desenvolvimento das armas nucleares, muitos deles alarmados com o poder destrutivo da tecnologia que ajudaram a criar. O objetivo sempre foi alertar governos e a sociedade sobre riscos existenciais, como armas de destruição em massa, colapso ambiental e tecnologias fora de controle.
Mais do que medir o perigo em si, especialistas afirmam que os ponteiros do relógio refletem a capacidade — ou incapacidade — da humanidade de responder a esses riscos. Assim, cada avanço simboliza não apenas ameaças crescentes, mas também a urgência de decisões políticas, diplomáticas e científicas capazes de evitar um cenário irreversível.










