Nem só do pedido de cassação do senador catarinense Jorge Seif (PL) vive o Tribunal Superior Eleitoral. Quem também está andando sobre a prancha, e ameaçado de cair em meio aos tubarões, é o senador pelo Estado do Paraná, Sérgio Moro (União), figura central, enquanto juiz federal, de toda a operação Lava Jato.
Moro, aliás, conseguiu unir gregos e troianos em torno do processo que visa sua cassação, por suposto abuso de poder econômico, tanto em sua pré-campanha, quanto na campanha eleitoral de 2022. Seus algozes são o PT, do presidente Lula da Silva, e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem Sérgio Moro foi Ministro da Justiça.
O PT quer a cassação de Moro por razões óbvias. Foi ele quem implodiu com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) através da Operação Lava Jato, mesma operação que, em seus desdobramentos, acabou levando Lula da Silva para a cadeia por mais de 500 dias. Já o PL quer cassar Sérgio Moro por questões eleitorais. É que na eleição para o Senado, o ex-juiz fez 33,82% dos votos dos paranaenses, contra 29,12% do então deputado federal Paulo Martins, que é filiado ao PL de Bolsonaro. Se o Tribunal Superior Eleitoral entender que o segundo colocado naquela disputa é que deve substituir Moro na eventualidade de sua cassação, é Paulo Martins quem ocupará sua cadeira em Brasília. Caso seja convocada nova eleição para o preenchimento da vaga, Paulo Martins surge, naturalmente, como candidato preferencial dos paranaenses ao Senado, tanto por conta do apoio de Jair Bolsonaro, quanto por conta do apoio do governador Ratinho Júnior.
Na absoluta maioria dos casos, cassações e impeachments são decisões políticas, e não administrativas. Dilma Rousseff, por exemplo, foi cassada por usar dinheiro de bancos para cobrir o rombo fiscal do Governo Federal, manobra que ficou conhecida como pedaladas fiscais. Governadores de todos os Estados fizeram a mesma coisa e não foram cassados. No entanto, Dilma foi, o que prova que se tratou de um impeachment notoriamente político. As ações movidas pelo PT e pelo PL contra Sérgio Moro também são notoriamente políticas. Um fato, no entanto, chama a atenção. A pré-campanha de Moro pagou R$ 1 milhão por serviços advocatícios ao escritório do advogado Luis Felipe Cunha, seu amigo de longa data, em um período de apenas quatro meses, entre abril e julho de 2022. Mesmo amigo que concorreu como seu primeiro suplente ao Senado. O valor exorbitante chama atenção por si só, mas, afora isto, cheira bem a um típico caso de caixa 2 para campanha eleitoral. Mesmo caixa 2 tão combatido por Moro durante a Lava Jato, como também pelo então promotor federal Deltan Dallagnol, eleito deputado federal em 2022, e que, a sua vez, já foi cassado.
Finais
No último dia 9 de novembro o PTB e o Patriotas tiveram sua fusão aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, dando origem ao PDR, o Partido da Renovação Democrática. A formalização da nova legenda em Santa Catarina, no entanto, não está seguindo a política da boa vizinhança. Isto porque, a impressão que se tem é a que o Patriotas se apossou de cabo a rabo da nova legenda. Eleito deputado estadual pelo PTB em 2022, o delegado Egídio Ferrari, por exemplo, não faz parte do recém empossado comando do PDR catarinense. Mesma sorte que teve o ex-deputado estadual Kennedy Nunes, que disputou o Senado em 2022, e que era o presidente estadual do PTB à época da fusão. A bola nas costas dos ex-petebistas deve resultar em dois desdobramentos: Delegado Egídio deverá se filiar no MDB, partido com quem tem bom trânsito, e com cujos líderes tem conversado bastante, e Kennedy Nunes, que é o atual presidente do Detran/SC, deverá ir para o PL do governador Jorginho Mello, focado em um projeto autoral em 2026.
Partido Liberal de São João do Sul tem sido assediado pelos dois principais grupos políticos do município. O MDB, do prefeito Moacir Teixeira, abriu negociações com o PL objetivando ter o apoio da sigla para bancar a candidatura do vereador Márcio Grei Magnus (MDB) ao executivo municipal. Do outro lado da moeda está o ex-prefeito Alex Bianchin (PDT), que já tem o apoio do Progressistas e do PSD para tentar voltar ao comando da prefeitura. O PL por sua vez, que está sob o comando do ex-vice-prefeito Gilberto Delfino, o Betinho, e do advogado Clovis Scheffer, diz que pretende lançar candidato próprio ao executivo. Caso não leve o projeto de candidatura própria adiante, o PL enfrentará um dilema e tanto. É que ideologicamente o comando do partido em São João do Sul é mais identificado com Alex Bianchin, de quem Betinho foi vice-prefeito entre 2009 e 2012. Todavia, o PL está proibido de coligar com siglas de esquerda, como é o caso do PDT de Alex. Não à toa, o MDB está convicto de que terá o PL como seu aliado.