O bolsonarismo deve ressurgir com força total nas eleições deste ano, através da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Flávio é herdeiro direto do patrimônio político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas com a grande vantagem de ser bem mais inteligente e moderado. Na prática, ele irá manter o movimento bolsonarista em sua órbita, e ainda agregar o voto daqueles descontentes com a esquerda, mas que votaram em Lula da Silva (PT) em 2022 por receio dos rompantes do ex-presidente Bolsonaro, que nunca foram poucos.
A candidatura de Flávio é uma pá de cal antecipada em quaisquer outras candidaturas com viés de direita que forem lançadas, a exemplo do projeto que vem sendo construído pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). A tendência natural é que a candidatura de Ratinho sofra um grande esvaziamento tão logo Flávio lance sua candidatura oficialmente, em agosto. O motivo é bastante simples: o PSD não tem torcida. Já Flávio tem de sobra.
A campanha presidencial se encaminha para uma explícita bipolarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, que lembrará em muito as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por enquanto, nesta dualidade, o placar aponta uma vitória para a direita e uma para a esquerda. Para 2026 a tendência de vitória é para a direita, por uma série de fatores. O principal destes fatores é a questão econômica. Com uma taxa Selic na casa dos 15%, o governo Lula está conseguindo desagradar gregos e troianos. A população perdeu o poder de compra e o setor produtivo não se sente estimulado a empreender, já que a especulação financeira está dando muito mais lucro do que o investimento.
O discurso vitimista da esquerda também já não ludibria mais ninguém. Foi-se o tempo em que a mão de obra operária era vista como vítima da sociedade, e isto acabou empurrando quase que a totalidade da classe média para o apoio à candidaturas de direita. A própria mão de obra assalariada já se deu conta que o mundo não espera por ela, e que se ela quiser ascender socialmente, precisará, no mínimo, estudar mais. Em um cenário como este não é nada fácil sustentar um discurso sintonizado com o proletariado, muito pelo contrário. Em um país em franco desenvolvimento econômico a tendência natural é que o eleitorado, especialmente o mais jovem, aposte suas fichas na possibilidade de ascensão social, e não na partilha de bens. É justamente por isto que a direita terá mais chances de vencer a eleição presidencial deste ano do que a esquerda.
Finais
- Tem perdido força movimento que intentava ter o ex-governador Eduardo Moreira (MDB), como candidato ao Senado pela esquerda catarinense, através de uma filiação ao PDT. Ex-senador Dário Berger, que está filiado ao PSDB, mas com um pé e meio no PSB, diz que quer disputar o Senado novamente. Como já foi candidato pelo PSB a este cargo e tem histórico ligado ao partido, sua intenção acaba se sobrepondo a de Moreira. Como a outra vaga de candidato ao Senado, pela esquerda, já está reservada ex-deputado federal, Décio Lima (PT), não há espaço para Moreira neste quadrante. Em relação a majoritária executiva, a candidatura ao Governo do Estado dos simpatizantes do presidente Lula da Silva (PT) já está carimbada para Gelson Merisio, do Solidariedade. A vaga de vice, por sua vez, passou a estar mapeada para a ex-deputada estadual Ângela Albino (PCdoB), que vinha ocupando até poucos dias um cargo comissionado em um governo do PSD, no Nordeste do país, prova de que o comunismo catarinense está para lá de flexível.
- Estas questões que envolvem a esquerda catarinense nem de longe lembram os áureos tempos em que os caciques do PT, e de outros partidos desta tendência ideológica, faziam política em nosso Estado. Como já ressaltando, um dos candidatos ao Senado no palanque de Lula em Santa Catarina será Décio Lima, presidente nacional do Sebrae, órgão que vive à sombra do Governo Federal, e que rende ao seu comandante a bagatela de R$ 69 mil por mês. Dário Berger, outro pré-candidato ao Senado pela esquerda, conseguiu nomear no último sábado seu irmão, Djalma Berger, como diretor estratégico da Itaipu Binancional, empresa ligada ao setor de energia do país. O salário está na casa dos R$ 60 mil. Gelson Merisio, por sua vez, é um dos caciques da JBS de Santa Catarina, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, empresa que se atolou até o pescoço nas investigações da Lava Jato. Já Ângela Albino até poucos dias era Secretária de Governo e Inovação do município de Lagartos, em Sergipe. Como se vê, o socialismo não tem fronteiras,











