Prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que é pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSD, cancelou a renúncia de seu mandato, que estava programada para acontecer no próximo sábado, dia 21. De acordo com ele, o motivo é a realização de um evento ligado ao setor agrário em Chapecó, que estaria inviabilizando qualquer outro encontro de grande porte no município, especialmente por conta da lotação na rede hoteleira.
Por óbvio que se trata de uma desculpa esfarrapada, até porque o tal evento agrário já está marcado há mais de seis meses, e João Rodrigues marcou sua renúncia há poucos dias. Ele não teria feito isto se vislumbrasse qualquer tipo de conflito de interesses na questão concernente a rede hoteleira, por exemplo.
O fato real é que João Rodrigues já não sabe mais se irá, ou não, renunciar para disputar o Governo de Santa Catarina, ainda que tenha afirmado ontem à noite que seu projeto rumo a uma candidatura ao governo do Estado pelo PSD continua em pé. Todavia, este projeto, que já vinha se arrastando, sofreu um revés e tanto, depois que o ex-governador Jorge Bornhausen, do nada, disse, na quinta-feira da semana passada, que o prefeito chapecoense não seria mais candidato ao governo pelo PSD. A primeira reação veio da federação União Progressistas, que retomou as conversações para estar aliada ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Já dentro do MDB a tese de candidatura própria do partido ao governo ganhou força, em que pese os defensores de uma aliança com Jorginho. Já os que defendiam aliança com João Rodrigues, não à toa, sumiram do mapa.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o prefeito disse que irá realizar um encontro do PSD até o dia 4 de abril. Ontem à noite o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, garantiu a João Rodrigues que o partido não tem plano “b” em Santa Catarina, e que o projeto continua sendo a candidatura do prefeito de Chapecó ao governo.
Paralelo a este desdobramento, o comando estadual do PSD suspendeu a reunião que aconteceria ontem à noite, em Florianópolis, para discutir o processo de expulsão do partido do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, por infidelidade partidária. João Rodrigues disse que não concorreria ao governo se Topázio, que é aliado do governador Jorginho Mello, permanecesse no PSD. Agora, por conta da declaração de João Rodrigues, o PSD dá a entender que não expulsará Topázio se o prefeito de Chapecó não renunciar para concorrer ao governo.
Finais
Presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, deu um canetaço, ontem, e reconduziu o senador Esperidião Amin ao comando do partido em Santa Catarina. Nos últimos meses esta função vinha sendo exercida pelo ex-deputado federal Leodegar Tiscoski, que permanece entre os 21 nomes que comandarão a legenda até dia 14 de setembro, quando deve acontecer a tão esperada convenção estadual do partido, para a escolha de um diretório e executiva que emane das bases do partido. A decisão acontece dois dias depois de os deputados do Progressistas darem explicitamente a entender que o melhor caminho para o partido em 2026 é uma aliança com o governador Jorginho Mello. Já Amin, por sua vez, vislumbra a possibilidade da formação de uma grande aliança, que uma PSD, Progressistas, União Brasil e MDB. Através dela ele tentaria viabilizar seu projeto de reeleição.
O fato é que este retorno de Esperidião Amin ao comando estadual do Progressistas não foi nenhum pouco digerido pelos deputados do partido, e tampouco por Leodegar Tiscoski. Isto porque o Progressistas estadual simplesmente recebeu um ofício de Ciro Nogueira dizendo que o comando do partido havia mudado. Ninguém foi consultado, ou comunicado previamente sobre a mudança. Tratou-se, meramente, de um acerto entre Ciro e Amim, reeditando velhas práticas já adotadas em outras ocasiões pelo senador. Nitidamente, a intenção de Esperidião Amim é tentar inibir o apoio em massa de seu partido ao projeto de reeleição de Jorginho Mello. Com o Progressistas na base de apoio de Jorginho, seria muito difícil explicar para o eleitor catarinense que é melhor votar em Amim, do que votar em Carol de Toni (PL), e em Carlos Bolsonaro (PL), para o Senado. O que Amim quer é liberdade, para poder fazer sua campanha, e com Jorginho esta liberdade não existirá.
Quanto aos deputados e prefeitos do Progressistas, e o risco iminente de rompimento com o governador, bom, isto não é problema de Amim. Pelo menos não na sua lógica.











