Governador Jorginho Mello (PL) deverá anunciar ainda esta semana, em vídeo, gravado ao lado do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), a composição de sua chapa majoritária, para enfrentar as eleições estaduais deste ano em Santa Catarina. A presença de Flávio no vídeo será uma tentativa de dar credibilidade ao anúncio, já que o governador, em outras ocasiões, fez pronunciamentos análogos, que poucos dias depois já não estavam valendo mais nada. O MDB como seu candidato a vice, e o senador Esperidião Amin (PP) disputando a reeleição por sua coligação, são as situações mais concretas vivenciadas na recente política catarinense. Afora isto, nos bastidores, Jorginho ofereceu a vaga de vice e ao Senado a diversos outros políticos, que, ou declinaram da oferta, ou se sentindo apenas usados pelas circunstâncias, não aceitaram a proposta. Neste sentido, o mais assediado foi o deputado estadual Júlio Garcia (PSD), convidado de forma reiterada para ser candidato a vice do governador.
Em um meio onde a manutenção da palavra empenhada é simplesmente tudo, Jorginho precisará de um avalista para levar seu projeto adiante sem sobressaltos. Este avalista será Flávio Bolsonaro.
Em princípio, a chapa a ser anunciada pelo governador o terá como candidato à reeleição, tendo o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu candidato a vice. Já as duas vagas ao Senado serão destinadas a deputada federal Carol de Toni e ao ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, ambos do PL. A anúncio, antes de março, e com o aval de Flávio Bolsonaro, também objetiva dar garantias a Carol de Toni, de que ela não será substituída pela candidatura de Esperidião Amin quando se der a oficialização da chapa majoritária do governador. Carol tem a possibilidade de deixar o PL durante a janela de transferência partidária do mês que vem, buscando abrigo em outra legenda para disputar o Senado.
Ela, até mesmo, já anunciou que fará isto, e, até o momento, não voltou atrás com seu anúncio. Nos bastidores as informações dão conta que o aval de Flávio Bolsonaro seria a condição imposta por Carol para permanecer no PL. Para receber o apoio da federação União Progressistas, no entanto, Flávio precisará abrir espaço nas majoritárias estaduais tanto para o União Brasil quanto para o Progressistas. Neste sentido, em Santa Catarina, uma das vagas ao Senado, na chapa de Jorginho, já havia sido acertada para Esperidião Amin. Acerto este feito por Flávio, e pelos presidentes nacionais do PL, Valdemar da Costa Neto, do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas, Ciro Nogueira.
Vale lembrar que Carol de Toni sabe disto tudo. O próprio Valdemar da Costa Neto lhe disse isto ao vivo e em cores, cara a cara, sem meias palavras. Agora, cabe a ela decidir se irá arriscar sua candidatura ao Senado, permanecendo no PL, ou se migrará para outro partido de direita, já promovendo ao mesmo tempo a encomenda de seu vestido para tomar posse como senadora por Santa Catarina em fevereiro do ano que vem.
Finais
- Caso, de fato, Jorginho Mello firme o pé, e concorra com Adriano Silva como seu candidato a vice, e com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro como seus candidatos ao Senado, inevitavelmente a federação União Progressistas buscará abrigo na chapa a ser encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Tal chapa se encaminha para ter o MDB como seu vice, e, neste sentido, se ressalta para a composição o nome do presidente estadual da legenda, Carlos Chiodini. Já as duas vagas ao Senado seriam destinadas a Esperidião Amin e, provavelmente, a Fábio Schiochet, presidente do União Brasil em Santa Catarina. É possível que, por uma gestão geopolítica, a segunda vaga ao Senado na chapa de João Rodrigues seja destinada a um político do Sul do Estado. O ex-prefeito Clésio Salvaro (PSD) era o nome cotado para isto, mas as investidas do Gaeco contra ele o têm desmoralizado eleitoralmente.
- A terceira chapa com chances de chegar ao segundo turno da eleição catarinense deverá ser encabeçada pelo ex-deputado estadual Gelson Merisio, que está filiado ao Solidariedade. Merisio, no entanto, está em franca negociação para migrar para o PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin. Seu candidato a vice poderá ser o ex-senador Dário Berger, que, por ora, permanece filiado ao PSDB. Já a dobradinha ao Senado será composta pelo presidente nacional do Sebrae, Décio Lima (PT), e, possivelmente, pelo ex-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), que está em negociações com o PDT para viabilizar este projeto. As chapas de Jorginho Mello, João Rodrigues e, Gelson Merisio, no entanto, por enquanto são apenas um rascunho do que poderá efetivamente se concretizar neste ano na política catarinense, que está cada vez mais pragmática e menos ligada a princípios históricos. Por aqui, dormir com o inimigo, passou a ser quase uma regra.










