O sempre articulado presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem tentado costurar uma dobradinha, para disputar a Presidência da República, que passa a margem das pretensões da família Bolsonaro. Ocupando o comando da Secretaria Estadual de Governo e Relações Institucionais, na gestão do governador paulista Tarcísio de Freitas (Rep), Kassab é conhecido por sua perspicácia no meio político.
Por óbvio que ele sabe que sem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a oposição ao projeto de reeleição do presidente Lula da Silva (PT), ano que vem, terá pouco o que fazer. Todavia, tudo também se desenha para que Bolsonaro, e os seus, pouco possam fazer em relação ao pleito de 2026. Está mais do que claro que o judiciário federal não aliviará a barra do ex-presidente, que poderá até mesmo ter que assistir à apuração da eleição presidencial do ano que vem atrás das grades, a exemplo de Lula em 2018.
Por conta das circunstâncias, a porta já está entreaberta para que Kassab leve adiante seu projeto de eleger Tarcísio de Freitas como futuro presidente da República, afinal de contas, foi para isto que ele foi convidado para assumir a Secretaria de Estado que está ocupando.
O caminho mais curto para criar esta possibilidade está dentro do Partido Liberal. A filiação de Tarcísio à legenda de Bolsonaro resolveria dois problemas de uma só vez, na medida em que o partido teria um candidato a Presidência com reais chances de vitória, e o ex-presidente poderia se utilizar da retórica que o presidenciável do PL é cria sua. Vale lembrar que Tarcísio entrou na política depois de ter ocupado o Ministério dos Transportes na gestão de Jair Bolsonaro junto ao Palácio do Planalto.
Mas Kassab não quer apenas a Presidência. Ele também almeja o comando da vice-presidência, e, neste sentido, as cartas estão marcadas para que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), seja evidenciado no jogo político que vem sendo montado.
O projeto de Kassab é de médio prazo. Sua aposta em Ratinho Júnior é uma aposta no próprio PSD, partido oriundo do antigo PFL, que há muito almeja ocupar a Presidência da República. Reformulado, e agregando a simpatia de boa parte do setor empresarial do país, a legenda foi a que mais elegeu prefeitos em 2024 e o terceiro que mais elegeu vereadores. Também é em torno do PSD que o Centrão se articula no Congresso Nacional, mandando e desmandando na política brasileira.
Trata-se, obviamente, de um trabalho de longuíssimo prazo, cujo start foi dado ainda à época da redemocratização do Brasil, na década de 1980. Kassab e o PSD, no entanto, estão convictos de que é chegada a hora de ir par ao tudo ou nada. Em princípio, o cenário nunca esteve tão favorável para o êxito de suas pretensões.
Finais
Governador Jorginho Mello (PL) desmentiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao sentenciar que não firmou com ele nenhum acordo para abrigar o vereador carioca Carlos Bolsonaro em uma candidatura ao Senado Federal pelo PL de Santa Catarina. De acordo com Bolsonaro, este acordo já estaria firmado com o governador, que, por sua vez, teria indicado a deputada federal Carol de Toni para a segunda candidatura ao Senado pelo PL catarinense. Jorginho foi mais além, e sugeriu que Carlos Bolsonaro poderia concorrer pelo Estado do Espírito Santo, que é vizinho ao Rio de Janeiro, ou mesmo por Roraima, onde o viés bolsonarista é tão forte quanto em Santa Catarina. A luz da razão, no entanto, o melhor caminho para Carlos Bolsonaro é transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, concorrendo ao Senado por este Estado. Uma das vagas do PL paulista, para a disputa ao Senado ano que vem, está reservada para o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que dificilmente voltará para o Brasil tão cedo. Poderia estar aí a saída diplomática para Bolsonaro e sua prole.
Ainda que não exista um nome consensual dentro do Progressistas de Criciúma, para disputar à Assembleia Legislativa pelo partido ano que vem, alguns líderes políticos têm sido citados com mais frequência, nas conversas de bastidores da legenda, para este embate. Os dois mais evidenciados são o ex-prefeito Anderlei Antonelli e o médico Irani Alberton, que no ano passado concorreu como candidato a vice-prefeito na chapa majoritária encabeçada pelo então vereador Júlio César Kaminski (PP), que, por sua vez, também tem defensores de uma candidatura sua à Assembleia. O ex-deputado estadual Valmir Comin é mais um nome lembrado pelo partido, por conta de suas quatro passagens pela Assembleia Legislativa pela legenda. Ainda que seja oriundo de Siderópolis, Comin tem amplo trânsito junto ao Progressistas criciumense. O empresário Márcio Búrigo, atualmente filiado ao União Brasil, é outra liderança sondada para uma disputa ao parlamento estadual pelo Progressistas, partido pelo qual ele já administrou Criciúma.