Interlocutores do MDB catarinense têm tentado convencer o ex-governador Raimundo Colombo a se filiar no partido, para disputar o governo estadual neste ano. A proposta é bastante alvissareira, e contemplaria uma chapa de oposição ao governador Jorginho Mello (PL), composta por MDB, PSDB, PSD e pela federação União Progressistas.
Colombo está filiado atualmente no PSD, mas há pelo menos três anos tem se mantido afastado da cúpula do partido, não tendo participado de nenhuma tratativa importante da legenda ao longo deste período, o que contempla a construção de um projeto majoritário estadual em torno do prefeito de Chapecó, João Rodrigues.
O projeto do MDB é bastante didático. Passa pela candidatura de Raimundo Colombo como candidato ao governo pela legenda, tendo o ex-senador Dário Berger (PSDB) como seu candidato a vice. Já as vagas de candidatura ao Senado, pela coligação, seriam ocupadas por Esperidião Amin (PP) e por João Rodrigues, que teria sua intenção com vistas a conquista do Governo do Estado rifada em nome de um projeto maior.
Para tentar obstruir este encaminhamento, João Rodrigues chegou a antecipar em dois dias a sua renúncia do comando da Prefeitura de Chapecó. Seu propósito, com isto, é o de intervir diretamente junto as cúpulas do MDB, do PSDB e da federação União Progressistas, para tentar impedir o crescimento do nome de Colombo dentro do grupo que vem articulando a formação de um grande bloco partidário para enfrentar Jorginho Mello.
Tudo passa, no entanto, pelo aceite de Raimundo Colombo a este projeto. Por enquanto, o ex-governador não disse que sim, sem que não. Ele tem até o próximo dia 3 de abril para decidir se deixa o PSD e se filia ao MDB. Se fizer isto, estará dando carta branca para que o projeto que vem sendo discutido pelos principais partidos de oposição seja levado adiante.
Caso este grande bloco de oposição ao governador Jorginho Mello não seja formado, o mais provável é que a federação União Progressista declare apoio ao seu projeto de reeleição, e o MDB se divida em três alas, apoiando, cada uma delas, respectivamente o projeto de João Rodrigues, o projeto de reeleição do governador e o projeto de Gelson Merisio pela esquerda. Já o PSDB tenderá apenas a lançar candidaturas proporcionais, visando a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
Finais
- É interessante observar que este grande grupo de oposição, que pode ser consolidado, está contando com a presença de Dário Berger como candidato a vice de Colombo. Mesmo Berger que também é cotado para ser candidato a vice de Gelson Merisio (SD), que, por sua vez, irá representar os partidos de esquerda do Estado com uma candidatura ao governo. Caso Dário Berger resolva deixar o PSDB e se filiar ao PSB, para concorrer como vice de Merisio, o nome natural dos tucanos para uma dobradinha executiva estadual com o MDB passa a ser o do deputado Marcos Vieira.
- Se Raimundo Colombo não atender aos apelos do MDB para ser o candidato ao Governo do Estado pelo partido, esta tarefa deverá ser assumida pelo deputado federal e presidente estadual da legenda, Carlos Chiodini. O nome de Chiodini não é o preferido das bases do partido, que têm solicitado uma candidatura do deputado estadual Antídio Lunelli ao governo catarinense. Antídio, no entanto, tem declinado desta possibilidade, e ressaltado que seu projeto para 2026 é meramente o de disputar à reeleição. Com uma candidatura de Carlos Chiodini ao governo, João Rodrigues também seria candidato.











