O PSD catarinense está em um processo explícito de implosão, diante das eleições de 2026. Na última semana, duas movimentações extremamente significativas pontuaram a atual condição do partido. Na quinta-feira, o ex-governador Jorge Bornhausen, que em que pese o fato de não estar filiado a legenda, ainda ajuda a dar as cartas do jogo político dentro do partido, anunciou que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, não seria mais candidato ao Governo do Estado. No dia seguinte, o próprio João Rodrigues desmentiu Bornhausen, ressaltando que sua candidatura estava mantida. O prefeito chapecoense admitiu um relevante mal estar dentro do PSD estadual por conta da filiação do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que é um dos principais cabos eleitorais do projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). No entanto, ao lado do presidente estadual da legenda, Eron Giordani, Rodrigues enfatizou que Topázio seria expulso da legenda, bom base em sua infidelidade partidária. Em sendo feito isto, João Rodrigues diz que manterá seu projeto.
Toda esta movimentação deixa bastante claro que Jorge Bornhausen, assim como seu filho, Paulinho Bornhausen, que é Secretário de Estado de Jorginho Mello, estão definitivamente fora do projeto de João Rodrigues, a exemplo de Topázio Neto, e também a exemplo do ex-governador Raimundo Colombo, que não tem participado das articulações que objetivam criar um clima favorável para viabilizar o projeto estadual do prefeito de Chapecó. Há de se levar em conta, também, a ligação histórica que os Bornhausen mantêm com o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia. Ainda que esteja hipotecando apoio a João Rodrigues desde o início, Júlio Garcia, por óbvio, tem mantido profundo contato com Jorge Bornhausen com vistas ao pleito de 2026.
O que se vê hoje dentro do PSD é um cenário dualista, com a legenda claramente dividida em dois grupos: um querendo candidatura própria, e outro querendo apoiar o projeto de reeleição de Jorginho Mello.
Esta situação, por óbvio, enfraquece de forma demasiada o projeto de João Rodrigues, deixando com que ele não seja mais reluzente aos olhos de legendas como o MDB, e também da federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas. Por conta disto, passa a haver uma tendência natural de alinhamento destas legendas com o projeto de Jorginho Mello.
A reversão deste cenário, por mais inusitado que possa parecer, pode passar pelas mãos de Jorge Bornhausen, que prometeu que anunciará quem será seu candidato ao Governo do Estado nesta semana. Do rosário de políticos de Santa Catarina, dois nomes se ressaltam para um projeto alternativo como este: o de Raimundo Colombo, que é figura extremamente próxima à família Bornhausen, e o do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), atualmente compromissado em ser candidato a vice de Jorginho Mello, mas que poderia bancar um projeto ao governo catarinense com o apoio do PSD, MDB e da federação União Progressista. A grande questão é saber se Bornhausen rifou João Rodrigues meramente para se alinhar em definitivo com Jorginho Mello, ou se ele tem na manga alguma cartada de mestre.
Finais
- Enquanto isto, Eron Giordani, que preside o PSD catarinense, diz que o processo de expulsão do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, da legenda, será iniciado hoje. A bem da verdade, para Topázio isto será um grande alívio, pois é o pretexto que ele precisava para se alinhar, definitivamente, com o governador Jorginho Mello, do qual recebeu integral apoio para seu projeto de reeleição em 2024. Topázio só não dará um aceite amigável para sua saída se isto for solicitado por Jorge Bornhausen. O fato é que quanto mais líderes houver dentro do PSD atrapalhando o projeto de João Rodrigues, melhor para o ex-governador. Se a lógica for esta, Topázio buscará se manter na legenda a qualquer custo, se utilizando principalmente de sua influência junto ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
- Deputada federal Geovânia de Sá deixou o PSDB, como já havia anunciado que faria, e se filiou ao Republicanos, para disputar à reeleição. Com este movimento, a parlamentar põe definitivamente um fim a sua relação política com o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), que está irmanado ao projeto eleitoral de João Rodrigues. Já Geovânia estará alinha ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello, já que o Republicanos é atualmente a legenda mais próxima do PL catarinense. Em nossa região, a parlamentar conta com o apoio integral dos prefeitos de Balneário Gaivota, Kekinha dos Santos, e de Santa Rosa do Sul, Almides da Rosa, ambos filiados ao Republicanos desde setembro do ano passado. O partido também é muito bem estruturado em Araranguá, onde possui três vereadores.











