segunda-feira, 19 DE janeiro DE 2026
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São Sebastião: mártir romano atravessa séculos e fortalece a fé no Sul catarinense

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A história de São Sebastião, capitão da guarda pretoriana romana no século III, segue viva e presente na religiosidade de comunidades do Sul de Santa Catarina, especialmente em Balneário Gaivota e Sombrio. Nascido em Narbonne, na antiga Gália, e criado em Milão, Sebastião utilizou sua posição estratégica no Império Romano, durante o governo de Diocleciano, para apoiar secretamente cristãos perseguidos, tornando-se um dos mártires mais venerados da Igreja Católica.

Embora não seja o padroeiro oficial dos municípios — Sombrio tem como padroeiro Santo Antônio de Pádua e Balneário Gaivota venera Nossa Senhora Auxiliadora — São Sebastião possui forte significado religioso para a comunidade da Figueirinha, em Balneário Gaivota. No local, uma igreja dedicada ao santo é referência de fé e devoção, mantendo laços espirituais com fiéis de Sombrio e fortalecendo a identidade religiosa regional.

Martírio e legado de fé

A trajetória de São Sebastião foi marcada pela coragem e resistência espiritual. Após ter sua fé cristã descoberta, foi condenado a morrer alvejado por flechas em um poste público. Sobreviveu graças aos cuidados de Santa Irene, mas, ao retornar para confrontar o imperador Diocleciano, acabou sendo espancado até a morte em 20 de janeiro do ano 288. Para impedir a veneração, seu corpo foi lançado em um esgoto romano, mas acabou sendo recuperado e, desde o século IV, passou a ser associado a milagres e à proteção contra pragas e epidemias.

A imagem do jovem soldado crivado de flechas tornou-se símbolo de fé inabalável e resistência diante da perseguição, atravessando séculos e continentes. Essa devoção chegou ao Sul catarinense por meio da tradição católica luso-brasileira trazida pelos colonos açorianos, consolidando-se nas comunidades locais.

Devoção que une comunidades

Em Balneário Gaivota, a Igreja de São Sebastião, na Figueirinha, promove missas mensais, especialmente no dia 20 de janeiro, data dedicada ao santo. As celebrações atraem fiéis de municípios vizinhos, incluindo Sombrio, reforçando a união religiosa entre as comunidades, mesmo sem feriados padroeirais oficiais.

A proximidade geográfica e a forte ligação com o litoral também contribuem para a devoção, já que São Sebastião é tradicionalmente invocado como protetor de pescadores, famílias e trabalhadores, sendo associado à proteção contra doenças e adversidades do cotidiano.

Assim, distante de sua Roma antiga, São Sebastião permanece presente na fé e na cultura religiosa do Sul catarinense, consolidando-se como um elo espiritual entre Balneário Gaivota e Sombrio e reafirmando a força da tradição católica na região.

Curiosidades históricas reforçam a devoção a São Sebastião

Além do martírio e da forte presença na fé popular, a trajetória de São Sebastião é marcada por fatos históricos e simbólicos que ajudam a compreender por que o santo atravessou séculos e permanece tão venerado pela Igreja Católica.

Origem francesa, não italiana
Apesar de ser associado a Roma e à Itália, São Sebastião nasceu na França, no final do século III, na cidade de Narbonne, então parte da Gália. Ainda criança, mudou-se com a família para Milão, onde foi educado e formado nos princípios do cristianismo.

Carreira militar de destaque no Império Romano
Seguindo os passos do pai, São Sebastião optou pela carreira militar. Ingressou no exército romano e ascendeu até o posto de capitão da guarda pretoriana, tornando-se um dos oficiais de confiança do imperador e comandante de sua guarda pessoal, posição de grande prestígio à época.

Um “soldado de Cristo” em meio à perseguição
Durante o governo dos imperadores Diocleciano, no Oriente, e Maximiano, no Ocidente, o cristianismo era duramente perseguido. Mesmo ocupando um cargo estratégico, Sebastião manteve sua fé em segredo. Sem abandonar suas funções militares, recusava-se a participar de atos de idolatria e dos martírios cristãos. Secretamente, visitava cristãos presos, destinados ao Coliseu, levando palavras de consolo e esperança na vida eterna.

Sobrevivente da primeira condenação à morte
Ao descobrir a presença de cristãos em seu exército, o imperador ordenou uma perseguição interna. Denunciado por outro soldado, Sebastião foi pressionado a renunciar à fé, mas se manteve firme. Condenado à morte por flechadas, foi deixado gravemente ferido para sangrar até morrer. Durante a noite, mulheres cristãs foram recolher seu corpo, mas perceberam que ele ainda estava vivo. Cuidaram de seus ferimentos, e, após se recuperar, Sebastião voltou a anunciar o cristianismo e teve a ousadia de confrontar novamente o imperador, pedindo o fim das perseguições.

Morte definitiva e revelação do local do corpo
Ignorando o pedido, o imperador ordenou sua execução definitiva: São Sebastião foi açoitado até a morte e teve o corpo lançado em uma vala para impedir a veneração. Após sua morte, segundo a tradição, o santo apareceu em sonho a uma mulher cristã, revelando onde seu corpo estava e pedindo que fosse sepultado nas catacumbas, junto aos apóstolos. Relatos indicam que seu túmulo ficava na Via Ápia, onde posteriormente foi erguida uma basílica dedicada ao santo, ainda hoje local de peregrinação.

Ligação com a fundação do Rio de Janeiro
A devoção a São Sebastião também marcou a história do Brasil. Estácio de Sá, fundador do Rio de Janeiro em 1º de março de 1565, morreu em decorrência de flechadas envenenadas durante combates contra os índios tamoios, aliados dos franceses. A morte ocorreu em 20 de janeiro, data dedicada a São Sebastião, que se tornou padroeiro da capital fluminense.

Relato de aparição em batalha histórica
Há ainda registros históricos e relatos da época que apontam para uma possível aparição de São Sebastião durante a batalha que expulsou os franceses calvinistas do Rio de Janeiro. O santo teria sido visto lutando ao lado de portugueses, mamelucos e indígenas aliados, empunhando uma espada, reforçando sua imagem de protetor e guerreiro da fé.

Esses episódios ajudam a explicar por que São Sebastião é lembrado não apenas como mártir, mas também como símbolo de coragem, fidelidade e proteção, valores que seguem presentes na devoção popular, inclusive nas comunidades do Sul catarinense.

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